A decadência da escola particular:
o que as notas do Enem têm nos mostrado
Por Flávio Tonnetti
O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio, o famoso Enem, tem sido notícia de muitos jornais ao longo do ano. Muitas reportagens usaram os dados para tornar evidente a decadência da escola pública brasileira. Como os jornais noticiaram, na cidade de São Paulo, por exemplo, nenhuma escola pública foi capaz de atingir a marca de 50% de acertos no teste.Por conta dos vestibulares de fim de ano, muitos dos quais utilizarão os resultados do Enem para calcular a nota dos vestibulandos, é bem possível que a discussão, sobre os índices de acerto, volte à tona.
O que essas reportagens do período anterior nos mostraram é algo que já sabemos: que a escola pública vai de mal a pior. No entanto, o que elas não mostraram é que a diferença entre os resultados das provas dos alunos das escolas públicas em relação aos das escolas privadas nem sempre é tão grande como se poderia imaginar.
Os mesmo 50%, não atingidos pela escola pública, também não foram atingidos por grande parte das escolas particulares na região de Osasco, por exemplo – região na qual trabalho. Das que superaram esta marca, somente duas ultrapassaram a marca dos 55% – o COC Osasco, que ficou com 58% de acertos, e o Leonardo Anglo, com 67% – sendo que uma outra, o Pio X, ficou exatamente na marca dos 55%.
Mesmo escolas tradicionais, como a FITO – antigo ITO – ou a Fundação Bradesco, foram incapazes de superar os 55%, o que significa que nestas escolas, onde a média das provas, necessária para passar de ano, costuma ser 6 ou 7, todos os alunos seriam reprovados – caso o Enem fosse um exame, ou prova interna, destas próprias instituições. A Fundação Bradesco, para se ter uma idéia, sequer atingiu a metade, ficando com 48%.
No caso de algumas outras escolas privadas da região a situação é ainda mais grave. Escolas particulares como Papa Mike e Colégio Aplicação, o primeiro com ridículos 39%, e o segundo com 44%, atingiram médias muito parecidas com as das escolas públicas – e até inferiores no caso do Papa Mike. Para compararmos, basta vermos que as melhores públicas – E.E. Liberatti, Vicente Peixoto e Ceneart – ficaram com a marca de 43% de acertos. Outras, como Gambarini e José Jorge, atingiram resultados parecidos, com 42%.
E é preciso ficar atento aos próximos índices, que logo se tornarão públicos. Para aqueles que pensavam que o drama da Educação Brasileira era exclusivo da Escola Pública, é bom abrir os olhos. A falta de qualidade do ensino tem atingido já há muito tempo a Escola Privada. Recomendo que os pais, que gastam seus salários na ilusão de pagar uma boa educação aos seus filhos, ponham suas barbas de molho. Os índices de que a Educação, como um todo, encontra-se num beco sem saída estão aí. Quem tiver olhos que veja.

Nossa, esse blog esta muito bonito, quanto bom gosto!!
Os artigos iniciais estão muito interessantes, já aguardo ansiosamente por atualizações. Meus sinceros parabéns!
No mínimo preocupante esta situação.
Flávinho, não posso me esquecer de partabeniza-lo por mais esta atitude de um bom brasileiro revoltado com a situação degradante deste país.
Abraços.
ensino privado não é ensino é sofisma.
A fundação bradesco não é um intituição particular.. não sei pq insistem nisso. Eu estudo lá, e não pago nada para isso. Talvez o problema de lá sejaque o Ensino Médio é cursado a noite… então muitas pessoas trabalham o dia inteiro, e depois vão para o colégio de 18:30 até 22:45… se quer saber como é dificil prestar atenção nessas condições converse com pessoas q fazem isso… eu por exemplo. Infelizmente lá não tem muita gente “riquinha”… temos que trabalhar pra ajudar no orçameto em casa.
A média lá realmente é 6… e eles nos treinam muito, fazem simulados que duram a noite inteira. A gente se esforça, mas não é tão fácil assim. Temos consciência das deficiências neste sentido. Mas se informem antes de postar coisas sobre algumas intituições… ok??
vlw…