Gestão Competente: educação sem apadrinhados

Por Flávio Tonnetti

Esta semana, uma minuta, que chegou às diretorias de ensino, alarmou grande parte dos profissionais da educação. O documento, do governo estadual, informa sobre como serão selecionados no próximo ano cargos que hoje são ocupados, na educação pública, por indicação política. Ainda não publicada em Diário Oficial, acredita-se que antes de dar as cartas definitivamente, a cúpula do governo pretende avaliar os ânimos daqueles que serão afetados por tais medidas – que obrigarão, por exemplo, que cargos de gestão sejam obrigatoriamente ocupados por profissionais concursados, e obrigando mesmo os que já efetivos a se submeter a uma prova específica caso queiram permanecer onde estão. Evidente que tal medida vai tirar muita gente do jogo.Explico. Além dos cargos que são ocupados por meio de concurso público, a educação paulista tem um batalhão de gente que assume os postos por contratações alternativas, sem vínculo como servidor estadual, nem por CLT – um tipo de profissional que fica no limbo da legislação brasileira. Este profissional é necessário, no entanto, porque são poucos os professores que conseguem ingressar na carreira por concurso público, seja porque são poucos os concursos, seja pela incapacidade de passar nas provas. De todo modo, estes “profissionais alternativos” são necessários à estrutura, já que sem eles os alunos ficariam sem aulas.

Dentro do quadro de magistério, contudo, existem funções específicas de apoio pedagógico e gestão educacional. Tais cargos são, no mais das vezes, preenchidos por indicação política – e as exigências nestes casos, sabemos, são muito poucas. Deste modo, muitas vezes um professor incapaz de passar num concurso público, acaba tornando-se coordenador pedagógico ou assistente de uma diretoria de ensino, funções que implicam a responsabilidade de orientar um grupo inteiro de professores e tomar decisões que afetam um número muito grande de profissionais e alunos.

No caso das Diretorias de Ensino, órgãos que coordenam todas as escolas de uma região, este tipo de profissional ocupa um lugar muito destacado. Muitos deles são amigos pessoais dos dirigentes e ocupam esta posição há anos. Devemos nos perguntar, então, o que estes profissionais, amigos de políticos, sem qualificação, têm feito pela educação paulista durante todo este tempo?

Amizade e favores pessoais não ajudam a construir uma educação séria e competente. Por isto a intenção da minuta, se for realmente levada à cabo, significará um avanço significativo para a Educação de São Paulo. Permitindo que novos profissionais, realmente qualificados, ocupem estes cargos de gestão.

1 comentário:

  1. O Véio | 18 de Janeiro de 2019 | 

    Os cargos políticos já viraram hábito, no Brasil. E quando a coisa vira hábito, fazer a coisa certa fica parecendo um crime!).

     

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