Financiamento público do desenvolvimento e da pesquisa

Por Flávio Tonnetti

Embora exista um discurso reinante sobre a valorização da pesquisa e do conhecimento, temos dificuldades enormes de observar isto na prática em nosso país. Pesquisa e Desenvolvimento são tópicos mencionados, sobretudo, no âmbito empresarial, mas mesmo aí são poucas as empresas que conseguem levar essa implementação adiante. No Desafio SEBRAE, por exemplo, um jogo, no qual os jovens de universidades brasileiras têm que administrar uma empresa num mercado competitivo, o item P&D é um dos pontos decisivos para a vitória – e que significa sobreviver no mercado e não falir a empresa.

A distância entre o discurso científico e sua implementação talvez se deva, em parte, à idéia distorcida que muitas vezes se tem da pesquisa. Costuma-se atrelar P&D a grandes investimentos, como os necessários para a construção de laboratórios ou indústrias. É claro que nesses casos a pesquisa muitas vezes faz parte do cotidiano destes setores, mas a pesquisa pode ser algo muito mais amplo, e simples até, do que isto.

Recentemente, os noticiários mostraram um aparelho simples que diminui o gasto elétrico dos chuveiros domésticos – e que nada mais é do que uma mangueira em espiral colocada no piso para aproveitar o calor da água antes dela ir para o ralo. Pequenas invenções como está, ou como o já clássico escorredor de arroz, podem ser frutos de uma pesquisa bem orientada – e também de uma boa dose de criatividade.

Uma pequena fábrica que produz sapatos no interior de Minas Gerais e que contrate um estilista para investir na criação de novos modelos baseados na cultura regional está, também, fazendo pesquisa – e se chegar a fabricar estes novos modelos fará desenvolvimento. Uma lavoura que tenha um agrônomo empenhado em estudar o solo para o melhor aproveitamento das mudas, está fazendo o mesmo. E o que faz um prefeito de uma cidade que envia uma equipe para fiscalizar os pontos onde ocorrem focos de dengue? Não é outra coisa senão pesquisa focada na resolução de um problema social – neste caso uma maneira preventiva para evitar uma doença.

Em todos estes casos, investir na contratação de um funcionário ou uma equipe focada na resolução de um problema ou na melhoria de um produto, não significa despesa à curto prazo, mas lucro à médio e longo prazo.

Os sujeitos desses exemplos podem, inclusive, e dependendo do caso, requerer verbas das agências públicas de fomento à pesquisa, como a CNPq, para tocar adiante os seus projetos. Infelizmente, poucos sabem disso. E poucos solicitam estas verbas. Em contrapartida, são muitos os que deixam de implementar seus projetos por falta de investimento – dinheiro mesmo – seja porque desconhecem esta via, seja porque pela via bancária normal os empréstimos são ou muitos difíceis de obter ou com os juros muito altos.

Acaba que a pesquisa fica restrita aos grandes conglomerados farmacêuticos e de cosméticos, ou aos grupos que trabalham especificamente com tecnologia de máquinas e softwares, empresas cuja atividade é quase que exclusivamente trabalhar com pesquisa e desenvolvimento e para as quais, pelo ramo econômico em que atuam, dinheiro nunca está em falta.

2 comentários

  1. Diogo Honorato | 20 de Maio de 2019 | 

    OLá Flávio!

    Peço imensas desculpas por só responder seu comentário no meu blog (Jornalsimo de Educação) alguns meses depois. É que, estagiando e em fim de semestre, tive que dar um tempo em meus blogs.

    Sobre a educação no sul do país, devo lhe confessar que meu conhecimento é bem superficial. Baseado nos índices que acompanho, com os professores que converso e as poucas escolas que tive oportunidade de visitar. E o que posso dizer é que não temos muito a reclamar, comparado à maior parte das escolas do Brasil.

    Moro em Floripa, mas sou de Goiânia, onde estou agora. Aproveitarei minha estadia para conhecer melhor as escolas daqui tbm.

    Sobre o comentário da matéria, postarei – a pedidos – ainda esta semana.

    abs

     
  2. O Véio | 20 de Maio de 2019 | 

    É sempre bom saber, Sr. Flávio Tonetti.

    ;-)

     

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