Desorganização dos dirigentes de ensino

Por Flávio Tonnetti

Na Educação Pública, o início do ano é o período de atribuição de aulas e contratação de profissionais.

Houve, no início desta temporada letiva, a inscrição de um concurso destinada aos cargos de serviço geral e organização escolar. A inscrição, feita pela internet, precisou, sem motivo claro, ser confirmada nas diretorias de ensino da região pretendida pelo candidato. Imagine a situação: milhares de pessoas inscritas no concurso se dirigindo a uma instituição para confirmar uma inscrição que já havia sido feita. O resultado, previsível, foi o caos. Sobretudo, porque essas instituições não estão capacitadas para receber esse volume de gente. E não estão capacitadas, porque não tem pessoal competente para organizar a logística.

Na diretoria de ensino de Santos, onde as filas davam a volta no quarteirão, a equipe estava desfalcada. Enquanto o caos reinava, a dirigente regional e os supervisores de ensino freqüentavam uma reunião promovida pela secretária estadual de educação, longe de seus postos de trabalho.

Este também é o mês da atribuição de aulas aos professores. Professores efetivos fazem suas escolhas de aulas e temporários brigam pelas sobras. Nestas ocasiões é que ocorrem os maiores desrespeitos ao professor, que depende destes procedimentos para trabalhar.
Eu, que precisei completar minha jornada de trabalho, porque salas de aula foram fechadas, em muitas escolas, reduzindo a carga horária de muitos profissionais, fui submetido a uma espera de cinco horas para fazer o complemento – obrigatório para preencher a jornada mínima.

Os atrasos decorrem da desorganização das diretorias de ensino e do descumprimento de horários. Na mesma diretoria, de Santos, os portões do local onde foram feitas as escolhas deveriam ter sido abertos às 9:00hs, mas só o foram às 10:20 horas. Dezenas de professores ficaram do lado de fora, na rua, esperando 1 hora e 20 minutos.

Na diretoria de ensino de Osasco o mesmo acontece há anos. Professores, às centenas, são tratados como bois num curral. Vivem, nestes momentos, uma espera sem explicação. Tudo por falta de um agendamento prévio, de um mínimo de organização e de uma logística de filas e processos.

Agora se pergunte: há quantos anos estes gestores estão na condução da educação pública? E o que eles tem feito pelos profissionais de educação e pelas nossas crianças? Some a estas perguntas duas outras: Por que continuam onde estão e porque nada muda?

Incrivelmente, professores não se rebelam contra esta situação, não ficam agressivos. Também os pais de alunos não sabem o que fazer quando as estruturas de ensino não correspondem às suas expectativas. Não há para quem reclamar, enfim. E a mídia, raramente se interessa por estes assuntos de gestão escolar, ficando mais interessada nos índices e no desempenho dos alunos, esquecendo-se que estes índices estão subordinados a estas estruturas – e a estas pessoas. Que vão mal, muito mal.

2 comentários

  1.  

    [...] engrossar o caldo assisti, no mesmo dia, no programa Provocações (TV Cultura) a entrevista com a ineficiente Secretaria da Educação Maria Helena Guimarães. Sua principal desculpa é a tese ridícula de que a educação pública do Estado vai mal por [...]

     
  2. PROEDUC | 18 de Outubro de 2019 | 

    ATENÇÃO RESSALTO QUE NOS ATUAIS ESCÂNDALOS DO DEPUTADO PAULO RENATO DEVEMOS LEMBRAR QUE A BARBIE DA EDUCAÇÃO SEMPRE FOI E SERÁ SEU BRAÇO DIREITO! E QUE A SENHORA SECRETARIA ADJUNTA, IARA PRADO, HÁ MAIS DE VINTE ANOS, EM SITUAÇÕES DE MANDO E PODER NAS DIFERENTES ESFERAS DA EDUCAÇÃO, NUNCA COLABOROU PARA ABSOLUTAMENTE NADA, ALIÁS SÓ FEZ PIORAR, ACORDA SÃO PAULO!

     

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