Educação Paulista: sem equipe nas escolas.

Por Flávio Tonnetti

Muito em breve acabará o primeiro bimestre letivo e as escolas públicas de São Paulo continuam sem coordenadores pedagógicos. Também sentem falta de auxiliares de serviços gerais e de pessoal para o trabalho de escritório.

Uma das “promessas” da Secretária Estadual de Educação era justamente contratar os coordenadores até dezembro do ano passado, caso em que a ausência destes profissionais não causaria transtornos ao cotidiano escolar. Estas contratações foram anunciadas junto com as “metas” do governo – metas que já iniciam demonstrando um fracasso ou, no mínimo, defasagem; se quisermos ser generosos para com os gestores tucanos da educação paulista.

Durante este período, em que profissionais não foram contratados ainda, o governo enviou um novo material didático, uma espécie de ensino apostilado em formato de jornal, que abarca todas as disciplinas escolares, e que tem sido exaustivamente trabalhado pelos professores. O material, que se pretende inovador – não que o seja de fato – requereria uma apresentação e uma articulação, justamente para que a equipe de professores melhor se utilizasse do mesmo. Tal apresentação deveria, justamente, ser feita pela figura do coordenador pedagógico, que é aquele profissional que, na escola, pensa a articulação de disciplinas e de materiais e que se reúne com a equipe de professores para discutir a aplicação dos mesmos em sala de aula.

Faltou aí, novamente, a noção de planejamento. Ou isso ou os altos gestores educacionais vivem imersos numa esquizofrenia. De que adianta enviar um material, que se pretendia um remédio para os males da educação paulista, uma panacéia, se não há quem o articule e o trabalhe quando ele chega às unidades escolares. Mais uma vez há o esforço extra do professor que tem que, por conta própria, examinar o material nas suas horas de folga, para as quais não é remunerado por isto. O esforço, individual e solitário, que dificilmente conseguirá uma articulação maior com outros profissionais, fica condicionado à “boa vontade” do profissional de educação. E de boa vontade ninguém vive. Insisto que é preciso ser sério com a educação paulista, Estado com a maior arrecadação tributária do país.

Coordenador pedagógico serve para “coordenar”, portanto, deveria estar nas unidades escolares antes do início das atividades escolares previstas no calendário letivo. Faltou, repito, planejamento.

Outra ausência, muito sentida por aqueles que vivem no ambiente escolar, é a falta de equipe não diretamente relacionada à missão de educar, mas sem a qual nenhum órgão público sobrevive. Refiro-me aos serventes, ajudantes, e auxiliares de escritório.

As escolas com as quais estou tendo contato não estão servindo merenda escolar, ou porque este profissional não existia ou porque as merendeiras e demais funcionários foram cessados no ano passado – pois se pretendia contratar novas equipes em outro regime de trabalho. Houve concurso, mas eu, particularmente não tenho idéia de quando tais profissionais chegarão, efetivamente, às unidades escolares. O concurso não foi, e isto também é preciso que se diga, para ingressar como servidor público, mas apenas para “contrato de serviço”, o que implica numa perda de alguns poucos benefícios por parte destes novos funcionários que porventura poderiam figurar como “funcionários públicos”. Há aí o vislumbre de uma “terceirização” dos profissionais ligados à escola. Não é difícil supor que, em breve, haverá prestadores de serviço, empresas especializadas em merenda ou em limpeza, habitando o ambiente escolar.

Enquanto o Estado liberal, que prega a atuação mínima e o corte de gastos, está economizando alguns meses de salário por não ter contratado uma série de profissionais que são fundamentais ao “bom andamento” de qualquer escola, professores e diretores vão passando apertado este início de ano – período intenso de atividades, no qual a ausência de auxiliares de escritório faz extrema falta na hora de receber matrículas de alunos e regularizar a situação funcional de professores.

Embora governador e pessoas de gabinete digam que há rumos e metas, o que parece ser uma mentira quando confrontamos o discurso com a prática, as escolas, em seu cotidiano vivo, estão e permanecerão à deriva. Dentro da educação paulista somos náufragos.

7 comentários

  1.  

    [...] engrossar o caldo assisti, no mesmo dia, no programa Provocações (TV Cultura) a entrevista com a ineficiente Secretaria da Educação Maria Helena Guimarães. Sua principal desculpa é a tese ridícula de que a educação pública do Estado vai mal por [...]

     
  2. Fabrício Barros | 17 de Setembro de 2019 | 

    Não entendi o comentário. Era só para dar ênfase? Mas o período está incompleto.

     
  3. PROEDUC | 17 de Setembro de 2019 | 

    ATENÇÃO RESSALTO QUE NOS ATUAIS ESCÂNDALOS DO DEPUTADO PAULO RENATO DEVEMOS LEMBRAR QUE A BARBIE DA EDUCAÇÃO SEMPRE FOI E SERÁ SEU BRAÇO DIREITO! E QUE A SENHORA SECRETARIA ADJUNTA, ÍARA PRADO, HÁ MAIS DE VINTE ANOS, EM SITUAÇÕES DE MANDO E PODER NAS DIFERENTES ESFERAS DA EDUCAÇÃO, NUNCA COLABOROU PARA ABSOLUTAMENTE NADA, ALIÁS SÓ FEZ PIORAR, ACORDA SÃO PAULO!

     
  4. Maria Augusta | 17 de Setembro de 2019 | 

    Nada mudou até hoje… Não se fala como os diretores estão mantendo as escolas funcionando e a merenda nos pratos das crianças, quando ainda não receberam nenhum repasse de verba, ao menos na Diretoria onde estou, na grande São Paulo!
    Não se esqueçam do quadro de funcionários mais antigos, que atuam nas Diretorias de Ensino, relegados ao esquecimento pelos tucanos. Observem a quantidade de professores que estão fora da sala de aulas, desviados para funções administrativas mas, ganhando como professores (na maioria dos casos, mais do que ganhariam em suas funções originais) e o Estado pagando o salário de outro professor para ficar na sala de aula que foi abandonada.

     
  5. Educadores Indepndentes | 17 de Setembro de 2019 | 

    Parabéns pelo blog. Seguindo exemplo, estamos publicando o blog educacaopaulista.blogspot.com

    Podemos trancrever os artigos?

     
  6. Silvio de Souza | 17 de Setembro de 2019 | 

    Está chegando a primavera e com ela a beleza inebriante das flores. Quiçá nossas escolas pudessem também substituir o descasso, a falta de verbas e materiais, os baixos salários, as idéias de última hora, as salas lotadas, a ausência do lúdico, pelo colorido da esperança, de melhores dias, de valorização, melhores salários e novas gerações que saiam com formação adequada de nossas escolas públicas.
    Quanto a secretária, penso que não passa de uma burocrata da educação que apenas está preocupada com as estatísticas frias a serem apresentadas em relatórios da secretaria de educação. Não é de fato uma educadora.

     
  7. ariany | 17 de Setembro de 2019 | 

    Olá,
    Meu nome é Ariany, eu represento o Blog Vestibular, da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado).
    Primeiramente lhe parabenizo pelo seu blog e gostaria de convidá-lo a conhecer e opinar num ambiente repleto de informações sobre educação: http://blogvestibularfecap.blogspot.com/

    Conto com a sua visita!
    Até mais!

     

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