O baixo salário do professorado paulista: quando o barato sai caro.

Por Flávio Tonnetti

Não é de hoje que o Estado paulista reconhece a falta de profissionais competentes na rede pública de ensino. Sabemos que o baixo salário ofertado para os cargos de professor acaba por afastar os bons profissionais do exercício público. Os bons, que não largam a profissão – pois muitos largam – são aproveitados pelas escolas privadas que, apesar de serem acusadas de limitar a atuação do professor e pasteurizar o ensino, ainda, ao menos, pagam melhor.

O Estado não usa a lei de mercado, portanto. Não usa o fator salário para atrair os melhores. Como “qualquer profissional” serve para enfileirar estas trincheiras, é natural que o ensino não avance. Reconhecendo o “déficit intelectual” de grande parte da classe docente, o governo gasta o dinheiro que deveria gastar com melhores salários em cursos de atualização. O Estado, portanto, assume sua ineficiência. Adota uma política equivocada de salários porque quer gastar menos, mas é obrigado a contratar cursos de especialização, porque, com os profissionais que contrata, a rede pública fica prejudicada. O barato sai caro. Ao invés de gastar fortunas com treinamentos, porque não aumentar o salário do professor e fazer com que esta simples medida atraia os melhores profissionais. Está na hora do Estado roubar da iniciativa privada os melhores professores. Investir em salário desobrigaria o Estado a investir em treinamentos, já que um melhor salário pressuporia uma melhor capacitação.

Não se espera que o Estado abandone esta política de formação continuada do corpo docente, política de atualização de profissionais muito em voga quando se fala em uma administração de ponta. O que se espera é que o Estado utilize estes mesmos recursos de maneira mais eficiente. Que não precise gastar recursos para dar ao professor um conhecimento que ele deveria ter ao sair da universidade. O Estado não deve ocupar o lugar da universidade. O papel da Secretaria da Educação não é tornar o professor apto ao exercício docente – embora tenham um diploma na área, muitos chegam ao serviço público sem serem capazes de ser aprovados em concurso público, justamente porque não tem uma formação mínima na matéria que pretendem lecionar.

Cabe ao Estado contratar os profissionais já preparados. Como num time de futebol, não faz sentido contratar atletas que não saibam jogar bola. Treiná-los faz parte do jogo, mas se espera que eles saibam o mínimo. E todo jogador que é bom de bola sabe que os melhores times são aqueles que pagam os melhores salários. Não há ingenuidade. Somos abelhas procurando mel.

7 comentários

  1. Natalia | 12 de Dezembro de 2019 | 

    Olá Flavio,

    Por outro lado, tenho certeza que certos professores sabem que ganham bem quando trabalham na rede privada de ensino, no entanto, acabam de ficar decepcionados ao verem que discentes, cujos pais pagam a escola ou a faculdade, estão curtindo em molecagem dentro da sala de aula, ou seja, um dos discentes fala assim ao professor:
    -Coloque meu nome na chamada, preciso ir, porque…(Na verdade, não tem interesse na aula)
    O professor inclina-se humildamente para colocar o nome desse aluno no computador e diz:
    -Pronto, pode ir.
    Aquele aluno sai da sala de aula, sorrindo e sentindo que possui um doce poder de dominar sobre professor. A nova geração de alunos na educação! Entretanto, o professor não interfere nada na vida dos discentes, pois precisa desse emprego para sobreviver ou algo assim, sabe que não pode
    trabalhar na rede publica de ensino, a qual já tem um grande problema, como você escreve todas informações aqui no blog…
    O mais estranho é pensar como docentes conseguem aguentar com tudo isso que está lhes humilhando e reprimindo…É uma sensação desagradavel.
    Percebe que existe coisa ruim nos dois lados: rede publica e outra, privada de ensino.
    Para a educação pública, o problema principal é a falta de mudanças das leis educacionais, por exemplo, as clausulas equivocadas do concurso público, o qual permite quaisquer candidatos participam nisso sem demonstrar sua experiência profissional ou intelectual ou têm pouco disso, uma vez que se um deles consegue passar no concurso publico à area educacional, já não sabe como deve trabalhar com aluno com deficiência.
    Aliás, os docentes em vários regiões deveriam unir em só um gigantesca fila e fazer um protesto com seriedade contra má organização de educação. Ou algo assim…
    Eu, particularmente, nunca vi esse protesto…

     
  2. PROEDUC | 12 de Dezembro de 2019 | 

    AO MEU VER, INFELIZMENTE O ESTADO DE SÃO PAULO PERDEU A OPORTUNIDADE DE TRATAR A PASTA DA EDUCAÇÃO SEM POLITICAGEM. LEMBRO-ME NA ÉPOCA DA EX-SECRETÁRIA PROF. MARIA LÚCIA O INTENSO BOMBARDEAMENTO DA MÍDIA ESCRITA E FALADA. ATUALMENTE, COM A MÍDIA EMUDECIDA, O QUE PERCEBO É UMA SECRETÁRIA MAIS PREOCUPADA COM SEU PENTEADO DO QUE COM A EDUCAÇÃO. COMO A SENHORA MARIA HELENA GUIMARÃES ESTÁ BLINDADA, O QUE PODERIA SER MOTIVO PARA DESEMPENHAR UMA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO SE TORNOU PLATAFORMA POLÍTIQUEIRA DO EIXO DO EX-MINISTRO PSDB PAULO RENATO. AQUELE MESMO QUE VIAJOU COM A NAMORADA ÀS CUSTAS DO DINHEIRO PÚBLICO. ENTÃO NÃO HÁ NADA QUE SE ESPERAR A NÃO SER A VALORIZAÇÃO DOS SALÕES DE CABELEIREIROS….

     
  3. Lúcia Helena Manzano Vettore | 12 de Dezembro de 2019 | 

    E o meu salario se bobear não da nem para cortar o cabelo uma vez por mês!!! So rindo!!!! Abraços

     
  4. Regina Helena Lazari | 12 de Dezembro de 2019 | 

    oi!!!
    Acho que tudo está errado, pois realmente a educação, a saúde e outras entidades…estão a serviço da politicagem. Quando me aposentei, resolvi dar uma chance aos alunos que queriam cursar uma boa faculdade e não podiam pagar, por não existir cursinho em minha cidade. Era tudo trabalho voluntário, os alunos nada pagavam, meus amigos professores eram os melhores da cidade e abraçaram a causa comigo. Os resultados a cada ano eram melhores, colocavamos mais alunos em escolas públicas estaduais e federais que as particulares. Só que além de ser coordenadora do cursinho também cubria as faltas e dava aula de História/Política. Depois de seis anos de tanto trabalho o prefeito resolveu tirar a sala-de-aula onde funcionava o cursinho. Eu como coordenadora fiquei sabendo na rua que não ia mais ter cursinho, não vencia receber telefonemas e mães na minha porta. Mandava que fossem falar com o prefeito, a resposta era sempre: eu vou reabrir o cursinho, inclusive em jornal. Até hoje não cumpriu sua promessa. Os alunos estão esperando no centro da cidade, bebendo, usando drogas etcetc. Politicagem…eu não apoiava a administração do mesmo. Na época que abri o cursinho estava fazendo tratamento com quimioterapia, pois estava com câncer. Não que isso é muito, mas é difícil lutar por um ideal, minha doença não era nada perto das injustiças com os mais necessitados.
    Abraços…

     
  5. freddy | 12 de Dezembro de 2019 | 

    oi td bem gostei muito do seu comentario

     
  6. camila | 12 de Dezembro de 2019 | 

    O Brasil faliu…politicos filhas da puta. O que eles querem é mais analfabetos e pessoas sem nenhum senso crítico para irem lá no planauto enfrentarem eles. O que eles querem é um Brasil burro de carga, com pessoas ignorantes do saber e assim a educação vira um lixo e ninguem da valor pra um professor, um educador.E a vida continua.
    Hoje em dia poucos investem nessa profissã; uma profissão desvalorizada pela sociedade, pelos pais (que sempre acham que o motivo pelo seu filho estar usando drogas na pracinha e cabulando aula é do professor) e pelos proprios alunos que acham que os professores tem que enfiar conhecimento em suas cabeças e que em nenhum momento precisam se esforçar e tomar atitude pra aprender alguma coisa.
    Até quando a gente vai levando porrada, porrada?

     
  7. Antonio Contiero | 12 de Dezembro de 2019 | 

    Ola, Flávio! Gostei do seu comentário! Fui professor e sentí essas dificuldades.

     

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