Arquivo de fevereiro, 2009

Qualidade de serviços educacionais e a noção de projeto

Por Flávio Tonnetti

Para Nilson Machado

 

Qualidade é sempre um dos temas abordados e criticados quando o assunto é educação. Na escola pública ou no ensino privado, a qualidade é sempre um ponto crucial. Tema nebuloso, é difícil encontrar um parâmetro universal e adequado que seja capaz de orientar nosso juízo de valor sobre práticas educacionais. Diferentemente de um objeto produzido numa fábrica, que pode ser submetido a testes e validações subseqüentes ao seu processo de fatura, um ser humano, que é o bem maior que figura como resultado de um processo educacional, não pode ser avaliado a partir de parâmetros tão estritos.

Se não podemos avaliar uma dinâmica educacional através do produto que ele gera, podemos fazê-lo, entretanto, se considerarmos a educação como um serviço. Embora esta comparação possa incomodar alguns educadores mais delicados, o lugar que a educação ocupa nos dias de hoje não é outro senão o de uma prestação de serviços, e que inclusive pode ser, e muitas vezes o é, um ramo de negócios muito lucrativo. Ler mais »

Para o mau profissional de enfermagem

Por Flávio Tonnetti

Há uma dimensão dadivosa preservada ao ofício do profissional de enfermagem. Ele deve entender e alcançar a dimensão da vida no que ela tem de mais frágil. É com a fragilidade que ele lida, todo dia. Ele recebe, ele acolhe, ele limpa: ele acalenta. Ele está lá para cuidar: sua única e primeira função. Ele está lá para o outro, jamais para si mesmo. Enfermagem é sempre “para” alguém e nunca “de” alguém. E se o médico pode optar entre o doente e a doença, o enfermeiro não; para este último só há o doente, e não há nada para ser cuidado que não seja o ser humano. E ele melhora o ser humano. Ele que acalenta, melhora o ser humano naquele gesto que recebe, que acolhe e que limpa. Todo cocô, todo vômito, todo sangue; todo dia – tudo isso que sai das vísceras do ser, do corpo onde habita a vida – é recolhido e reconhecido pelo enfermeiro. Reside aí a metáfora mais bela da profissão, a metáfora diária do enfermeiro, que ele vive e sente cotidianamente: ao reconhecer o que é excremento do homem, ele reconhece também o homem, na sua condição mais visceral: ser que sofre. O enfermeiro pode então reconhecer-se em seu paciente: “estou vivo!” e “sinto e sangro e cago”. Ler mais »