Arquivo da categoria 'Cotidiano Escolar'

Assistência estudantil e apoio ao conhecimento

Por Flávio Tonnetti

 

Avança-se no campo da assistência estudantil toda vez que consideramos também a educação a partir das necessidades do aluno. Avançamos quando consideramos o suporte ao aluno como um mecanismo necessário para o seu acesso ao ensino e também para sua permanência – tanto no ensino superior, quanto nos níveis de educação mais básicos e elementares.

É por isso que a oferta de merenda escolar, em creches e escolas, não pode ser vista como assistencialismo estatal, ou esmola para os pobres, mas como estratégia de manutenção do aluno dentro deste ambiente escolar: é preciso que coma para que aprenda.

A oferta de merenda visa, portanto, a realização de um objetivo pedagógico: aprender e permanecer na escola. Uma instituição que tem por determinação ensinar e formar seres humanos deve lançar mão de todos os recursos possíveis para atingir este fim. Se sua missão é o ensino, deverá então garantir, de todas as maneiras possíveis, as condições para que o aprendizado aconteça. Ler mais »

Gripe Suína e atraso no retorno às aulas

Por Flávio Tonnetti

Um novo tipo de gripe ocupou o foco principal dos noticiários no segundo semestre deste ano de dois mil e nove. A divulgação de que se tratava de um novo tipo mortal de gripe alarmou a população. Essa preocupação fez com que muita gente “precavida” buscasse modos paliativos de se proteger da gripe – o que aqueceu alguns mercados específicos de produtos hospitalares e farmacêuticos, já que máscaras cirúrgicas e gel bactericida foram vendidos como maneira de evitar o contágio. A gripe, que é um vírus, continuará assolando a espécie humana, e se transformando, não obstante essas medidas inócuas, até que uma vacina eficiente possa ser encontrada. Solução eficaz, mas ainda distante. Ler mais »

Fundão MTV, a escola escancarada

Por Flávio Tonnetti

Para Flávia Santos

Diferentemente do global “Soletrando” ou do tradicional “Passa ou Repassa” do SBT, que insistem em querem saber qual é o aluno mais inteligente, o programa Fundão MTV, comandado pelo apresentador João Gordo, toca uma questão menos direta: quer apenas descobrir quem é o menos burro. Estamos na busca dos sobreviventes, portanto.

Com o programa queremos saber qual foi o aluno que, apesar de todos os reveses da educação brasileira, principalmente os da educação pública, foi capaz de sair ileso e de passar impune. Por isto mesmo é que, dentro do contexto educacional brasileiro, o Fundão MTV é, dentre todos os programas do gênero, o menos hipócrita.

Nada de crianças bonitinhas. Nada de crianças comportadinhas. Nada de índices escolares dos “mais esforçados”. Embora haja equipes competindo tal qual o clássico “Passa ou Repassa”, o Fundão MTV segue a linha dos programas freaks comandados por João Gordo. Seus participantes muitas vezes se destacam já pelo visual exótico. São rapazes góticos, meninas super pintadas, manos do rap e roqueiros com camisetas em evidência. Estão lá os que se destacam na multidão. Os que têm alguma personalidade. Ler mais »

Estamos em greve

Por Flávio Tonnetti

Milhares de professores na Praça da República “A greve continua, Serra a culpa é sua”. Ao som destas palavras de ordem, cantadas como um bordão, milhares de professores e profissionais da educação ocuparam toda a extensão da Avenida Paulista e marcharam em direção à Praça da República, onde fica sediada a Secretaria Estadual de Educação. A marcha, que parou o trânsito da cidade, teve por objetivo pressionar o governo para que medidas incoerentes, em relação à Educação Paulista, fossem revistas.

Os professores, em greve deste a última semana, querem a revogação de decretos sancionados pelo governador. Os decretos impedem ao professor a possibilidade de pedir transferência para escolas mais próximas à sua residência e limitam a apresentação de atestados médicos para justificar faltas, contrariando assim o direito ao tratamento médico, assegurado a todo trabalhador. Ler mais »

Jornal do Aluno nas comunidades do Orkut

Por Flávio Tonnetti

O governo estadual de São Paulo elaborou um material para resolver a defasagem dos estudantes da rede pública de ensino. O material, que contemplava todas as matérias, nos moldes de uma apostila, recebeu o nome de Jornal do Aluno – já que sua forma simulava a de um jornal.

Durante todo o período em que foi utilizado – o primeiro semestre de 2008 – o jornal foi alvo de comentários e críticas em inúmeras comunidades do Orkut – o site de relacionamentos mais popular entre os brasileiros.

Muitas das comunidades que foram criadas tinham nomes curiosos que demonstravam muito bem a opinião dos estudantes em relação ao material ao qual tiveram que se submeter. Nomes como “Eu odeio o jornal do aluno”, “Vou queimar o jornal do aluno” e “Jornal do aluno O Caralho” encabeçam a lista das comunidades – demonstrando, para utilizar um eufemismo, o “desapreço” dos estudantes pelo tão alardeado Jornal. Ler mais »

Avanços ou retrocessos no Ensino de Filosofia em São Paulo

Por Flávio Tonnetti

Convencidos de que a educação paulista está entre as piores do Brasil – apesar de São Paulo ter, por conta da arrecadação de impostos, a maior verba, dentre os estados da federação, destinada ao ensino público – o governo José Serra decidiu tomar providências.

Uma delas, que afeta diretamente a função do professor e que interfere na condução dos estudos dos alunos, foi a elaboração de um material de recuperação em formato de jornal, no qual todas as matérias estão contempladas. Apesar de ser destinado à recuperação, muitos dos conteúdos são visto pelos alunos como “novidades” – o que serviria ou para apontar a defasagem no ensino dos alunos ou a inadequação do material – ou ambas. Ler mais »

Educação Paulista: sem equipe nas escolas.

Por Flávio Tonnetti

Muito em breve acabará o primeiro bimestre letivo e as escolas públicas de São Paulo continuam sem coordenadores pedagógicos. Também sentem falta de auxiliares de serviços gerais e de pessoal para o trabalho de escritório.

Uma das “promessas” da Secretária Estadual de Educação era justamente contratar os coordenadores até dezembro do ano passado, caso em que a ausência destes profissionais não causaria transtornos ao cotidiano escolar. Estas contratações foram anunciadas junto com as “metas” do governo – metas que já iniciam demonstrando um fracasso ou, no mínimo, defasagem; se quisermos ser generosos para com os gestores tucanos da educação paulista. Ler mais »

Falseando informações na educação pública:
bibliotecas e salas de informática

Por Flávio Tonnetti 

A maioria das escolas com as quais tive contato sempre declararam ter bibliotecas e sala de informática. É uma resposta automática. Os gestores das instituições escolares consideram, obviamente, estes itens importantes – e sabem que para serem considerados bons gestores estes itens devem ser declarados.

Mas o que acontece é que aquilo que se chama de “biblioteca” ou de “sala de informática”, muitas vezes, não passa de um engodo. Às vezes, as escolas de fato têm livros, às vezes, têm também computadores. São materiais enviados pelos governos estaduais e federais às escolas. Eles constam das listas governamentais de remessa e estão previstos em muitos orçamentos. Ler mais »

Desorganização dos dirigentes de ensino

Por Flávio Tonnetti

Na Educação Pública, o início do ano é o período de atribuição de aulas e contratação de profissionais.

Houve, no início desta temporada letiva, a inscrição de um concurso destinada aos cargos de serviço geral e organização escolar. A inscrição, feita pela internet, precisou, sem motivo claro, ser confirmada nas diretorias de ensino da região pretendida pelo candidato. Imagine a situação: milhares de pessoas inscritas no concurso se dirigindo a uma instituição para confirmar uma inscrição que já havia sido feita. O resultado, previsível, foi o caos. Sobretudo, porque essas instituições não estão capacitadas para receber esse volume de gente. E não estão capacitadas, porque não tem pessoal competente para organizar a logística. Ler mais »

Um Capeta em Forma de Guri:
uma paródia bizarra dos alunos-problema

Por Flávio Tonnetti

Não há como definir algumas das “obras de arte” que a televisão nos oferece. O adjetivo mais adequado para algumas delas talvez seja o adjetivo “bizarro”.

O achado mais recente foi a paródia de um filme, estranhíssimo, feita pelo grupo Hermes e Renato: “Um capeta em forma de guri“. Trata-se de um tipo de paródia que altera os diálogos originais do filme, que ficou popular na internet graças a uma dupla de rapazes que gravou suas vozes por cima de um episódio da antiga série de tevê Batman e Robin – aquela em que apareciam as onomatopéias de briga em balões de texto: “Pá!”, “Pum!”, “Tcham!”. Ler mais »

Sobre um painel “fofinho” II

Por Flávio Tonnetti

Parte II

*

Na quinta série F, a sala ao lado da quinta G, o painel fofinho está rasgado. Apenas um pequeno pedaço traz a lembrança bucólica do painel bonito. Atrás do painel revela-se uma lousa velha, nunca usada. Nem neste caso, nem no outro. São apenas suportes para sonhos que não existem. Mas, nesta sala, as pichações ocupam tudo. No teto, cones de papel, colados com chiclete, dão um ar tétrico à instalação.

Os sonhos estão arrasados. Ler mais »

Sobre um painel “fofinho”

Por Flávio Tonnetti

Parte I

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Conheci uma escola numa cidade grande, cinza e esquecida: uma escola numa cidade sem graça. Uma escola que era sem graça como a cidade. Uma escola, enfim, como todas as escolas…

Numa das salas, uma quinta série G, havia uma painel colorido. Era um painel com belas fotos e recortes de revista. Uns coqueiros que lembravam muito as praias da Bahia: do Espelho e Caraívas. Uma ilha lembrando Fernando de Noronha – vista do alto, o mar azul em volta. Uma outra lembrava muito o capitólio – americano. E havia uma com umas flores dando vistas para a torre de Paris, a cidade luz. Ler mais »

Ballet na escola pública

Por Flávio Tonnetti

Celebrando um convênio entre a Secretaria da Educação paulista e a companhia de dança Ballet Stagium, as escolas públicas de São Paulo vêm recebendo apresentações itinerantes de dança. O espetáculo “Coisas do Brasil”, escolhido para tais apresentações, funda uma experiência nova de aprendizagem. Uma experiência não livresca.Cena do espetáculo 'Coisas do Brasil'

Utilizando outras formas de narrar que não a palavra, o balé nos ensina algo. Lembra-nos de que o corpo está vivo; e que comunica. Aqui, o gesto também é palavra e a palavra, não esqueçamo-nos, só acontece enquanto gesto: na voz que baila ou no papel pela mão cristalizada.

A coreografia deste espetáculo conta, com movimentos, a história brasileira desde suas raízes indígenas. Está tudo lá: desde a chegada dos portugueses até a abertura do Brasil para os capitais externos nas metades do século passado, particularmente os norte-americanos. Nem mesmo o movimento de migração em massa das populações nordestinas para o sudeste ficou de fora. Tudo dito sem palavras. Ler mais »

Entre a denúncia e o lirismo:
imagens de cidadania em textos de alunos da rede pública

Por Flávio Tonnetti

Na instituição para a qual trabalho, uma das diretorias de ensino do Estado de São Paulo, foi lançado um concurso para os alunos da rede pública cujo tema era “a cidade que nós queremos”. O concurso, que tinha por inspiração modelos bem conhecidos, foi chamado de Jovem Parlamento e tinha como tônica captar dos jovens o imaginário que eles têm da cidade onde vivem bem como as sugestões que poderiam dar para sua melhoria. Tudo de acordo. Tudo perfeito.Boatos informaram que o concurso estaria sendo financiado por um político da região, derrotado nas últimas eleições, e candidato certo para as próximas. Isto, em princípio, não desabona o concurso, que dará como prêmio aos melhores trabalhos um microssistem, um aparelho de DVD e um computador – ao melhor desenho do ciclo I, melhor texto do ciclo II e melhor texto do ensino médio, respectivamente. O patrocínio do político diz respeito justamente aos prêmios. Para as horas de trabalho dos professores e coordenadores pedagógicos e o custo com transporte dos que foram convocados para a divulgação do concurso, nisto arcou o Estado. E tudo vai indo bem. Ler mais »