Arquivo da categoria 'Cultura e Sociedade'

Gripe Suína e atraso no retorno às aulas

Por Flávio Tonnetti

Um novo tipo de gripe ocupou o foco principal dos noticiários no segundo semestre deste ano de dois mil e nove. A divulgação de que se tratava de um novo tipo mortal de gripe alarmou a população. Essa preocupação fez com que muita gente “precavida” buscasse modos paliativos de se proteger da gripe – o que aqueceu alguns mercados específicos de produtos hospitalares e farmacêuticos, já que máscaras cirúrgicas e gel bactericida foram vendidos como maneira de evitar o contágio. A gripe, que é um vírus, continuará assolando a espécie humana, e se transformando, não obstante essas medidas inócuas, até que uma vacina eficiente possa ser encontrada. Solução eficaz, mas ainda distante. Ler mais »

A Educação como Setor Estratégico

Por Flávio Tonnetti

Não é mais possível justificar nossas mazelas a partir da juventude de nosso país. Basta nos lembrarmos de que os EUA surgem aproximadamente na mesma época e que o Japão recuperou-se de uma completa destruição em cerca de meio século. Aliás, alegar que somos um país em construção nunca me pareceu uma justificativa razoável para continuarmos a ser o que somos: um país de medíocres.

É seguro afirmarmos que uma série de condições históricas nos conduziu aos dias de hoje, e que características culturais que herdamos e que desenvolvemos continuam a contribuir para que não alcancemos um status maduro de civilização. Ler mais »

Para o mau profissional de enfermagem

Por Flávio Tonnetti

Há uma dimensão dadivosa preservada ao ofício do profissional de enfermagem. Ele deve entender e alcançar a dimensão da vida no que ela tem de mais frágil. É com a fragilidade que ele lida, todo dia. Ele recebe, ele acolhe, ele limpa: ele acalenta. Ele está lá para cuidar: sua única e primeira função. Ele está lá para o outro, jamais para si mesmo. Enfermagem é sempre “para” alguém e nunca “de” alguém. E se o médico pode optar entre o doente e a doença, o enfermeiro não; para este último só há o doente, e não há nada para ser cuidado que não seja o ser humano. E ele melhora o ser humano. Ele que acalenta, melhora o ser humano naquele gesto que recebe, que acolhe e que limpa. Todo cocô, todo vômito, todo sangue; todo dia - tudo isso que sai das vísceras do ser, do corpo onde habita a vida - é recolhido e reconhecido pelo enfermeiro. Reside aí a metáfora mais bela da profissão, a metáfora diária do enfermeiro, que ele vive e sente cotidianamente: ao reconhecer o que é excremento do homem, ele reconhece também o homem, na sua condição mais visceral: ser que sofre. O enfermeiro pode então reconhecer-se em seu paciente: “estou vivo!” e “sinto e sangro e cago”. Ler mais »

Metalinguagem: por que a Rede Globo é culturalmente tão poderosa.

Por Flávio Tonnetti

A Globo é, e parece sempre ter sido, a mais poderosa rede de televisão brasileira. A força da Globo não vem apenas de seu capital financeiro, mas de seu capital cultural. Conseguiu ao longo dos anos reunir um corpo de técnicos, escritores, apresentadores e atores de grande destaque - no caso dos atores, quando o virtuosismo não fala mais alto, é certo que a Globo consegue capitanear os mais belos.

Pelas competências que reúne, entre outras coisas, a Globo domina o mercado publicitário televisivo. É a mídia com maior alcance, e por isto mesmo a mais cara. A fonte de renda alimenta o talento e o talento alimenta a fonte de renda. É um círculo virtuoso, portanto. Este talento, é preciso que se diga, é um talento comercial. A Globo, embora seja uma empresa de entretenimento, não se presta a fazer objetos de “alta-cultura”. No entanto, faz muito bem aquilo a que se propõe: seduzir e dominar as mentes dos milhões de brasileiros que a assistem todos os dias.

Esta vocação de mercado que a Globo tem não a impediu, entretanto, de gestar obras-primas. “O Auto da Compadecida“, série que logo foi compilada em filme - e mesmo assim atraiu uma multidão aos cinemas brasileiros - nasceu na Globo. “Hoje é dia de Maria” também. Programas humorísticos ácidos como “TV Pirata” ou “Casseta e Planeta” - este último apenas nos anos iniciais - são outros achados - além do imortal Chico Anísio, claro. Atores como Lima Duarte e Tony Ramos pertencem ainda hoje a esta casa. Ler mais »

Fundão MTV, a escola escancarada

Por Flávio Tonnetti

Para Flávia Santos

Diferentemente do global “Soletrando” ou do tradicional “Passa ou Repassa” do SBT, que insistem em querem saber qual é o aluno mais inteligente, o programa Fundão MTV, comandado pelo apresentador João Gordo, toca uma questão menos direta: quer apenas descobrir quem é o menos burro. Estamos na busca dos sobreviventes, portanto.

Com o programa queremos saber qual foi o aluno que, apesar de todos os reveses da educação brasileira, principalmente os da educação pública, foi capaz de sair ileso e de passar impune. Por isto mesmo é que, dentro do contexto educacional brasileiro, o Fundão MTV é, dentre todos os programas do gênero, o menos hipócrita.

Nada de crianças bonitinhas. Nada de crianças comportadinhas. Nada de índices escolares dos “mais esforçados”. Embora haja equipes competindo tal qual o clássico “Passa ou Repassa”, o Fundão MTV segue a linha dos programas freaks comandados por João Gordo. Seus participantes muitas vezes se destacam já pelo visual exótico. São rapazes góticos, meninas super pintadas, manos do rap e roqueiros com camisetas em evidência. Estão lá os que se destacam na multidão. Os que têm alguma personalidade. Ler mais »

Estamos em greve

Por Flávio Tonnetti

Milhares de professores na Praça da República “A greve continua, Serra a culpa é sua”. Ao som destas palavras de ordem, cantadas como um bordão, milhares de professores e profissionais da educação ocuparam toda a extensão da Avenida Paulista e marcharam em direção à Praça da República, onde fica sediada a Secretaria Estadual de Educação. A marcha, que parou o trânsito da cidade, teve por objetivo pressionar o governo para que medidas incoerentes, em relação à Educação Paulista, fossem revistas.

Os professores, em greve deste a última semana, querem a revogação de decretos sancionados pelo governador. Os decretos impedem ao professor a possibilidade de pedir transferência para escolas mais próximas à sua residência e limitam a apresentação de atestados médicos para justificar faltas, contrariando assim o direito ao tratamento médico, assegurado a todo trabalhador. Ler mais »

Comunidades Quilombolas e Exploração Cultural

Por Flávio Tonnetti e Edgard de Freitas Cardoso

Uma vez por ano acontece no Rio de Janeiro, no Quilombo São José, região de Valença, uma festa em homenagem aos Pretos-Velhos - como são conhecidos os ancestrais jongueiros. Por conta deste evento, vão para São José, e lá se apresentam, grupos de cultura popular de diversas partes do Brasil. O Quilombo, a despeito de seus anos de existência, somente há pouco recebeu energia elétrica, avanço que pode ser atribuído à presença de certas empresas que se interessaram em patrocinar a festa. Ler mais »

O conhecimento como commodity

Por Flávio Tonnetti

Peter Drucker, um dos gurus da administração, muito conhecido por suas palestras corporativas de gestão, escreveu, assim como muitos outros “gurus”, sobre a “nova” sociedade do conhecimento. Em sua versão de mundo, presente em publicações como Administrando em tempos de grande mudança, o conhecimento é a grande commodity nessa nova ordem mundial. Pode, portanto, gerar riquezas e contribuir para o desenvolvimento de um país; pode alavancar mercados para corporações e empresas. Por ter um papel central, como produtora de conhecimento, a escola deveria, nesta concepção, ser o centro da sociedade. Ler mais »

Apeoesp: um sindicato não representativo

Por Flávio Tonnetti

Por conta dos malefícios que a categoria profissional dos docentes da rede pública de São Paulo está sofrendo, achei que havia chegado a hora de tomar parte nos movimentos sindicalistas. Foi motivado por isto que compareci a uma reunião promovida no sindicato para discutir a situação do ensino de filosofia, sociologia e psicologia dentro da estrutura atual da escola pública paulista.

Embora em melhor situação que os professores de sociologia e psicologia - que perderam suas aulas, já não tendo mais postos de trabalho no estado de São Paulo dentro da rede pública - os filósofos também vêm acompanhando a diminuição de seus postos de trabalho pela diminuição de aulas. Ler mais »

Cultura da Mentira

Por Flávio Tonnetti

Um incêndio que ocorreu no fim de 2007, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, mostrou bem como está arraigada em nós, brasileiros, uma cultura coorporativa da mentira. A mentira flagrante ocorreu durante uma entrevista dada por um oficial do alto escalão do Corpo de Bombeiros a um repórter de uma grande rede de televisão.

O incêndio obrigou vários setores do prédio a desocuparem o hospital, que é enorme, às pressas. Na ocasião, um dos últimos andares foi muito afetado pela fumaça causando desespero e pânico em muitos dos funcionários e pacientes. Ler mais »

Um Capeta em Forma de Guri:
uma paródia bizarra dos alunos-problema

Por Flávio Tonnetti

Não há como definir algumas das “obras de arte” que a televisão nos oferece. O adjetivo mais adequado para algumas delas talvez seja o adjetivo “bizarro”.

O achado mais recente foi a paródia de um filme, estranhíssimo, feita pelo grupo Hermes e Renato: “Um capeta em forma de guri“. Trata-se de um tipo de paródia que altera os diálogos originais do filme, que ficou popular na internet graças a uma dupla de rapazes que gravou suas vozes por cima de um episódio da antiga série de tevê Batman e Robin – aquela em que apareciam as onomatopéias de briga em balões de texto: “Pá!”, “Pum!”, “Tcham!”. Ler mais »

Inclusão ou exclusão educacional de deficientes?
O caso dos surdos

Por Natália Frazão (surda) e Flávio Tonnetti (ouvinte)

 

Sob a bandeira da inclusão social, o MEC e diversas secretarias da educação estão desmontando as escolas especializadas em educação de surdos. A idéia é transformar estas escolas em centros de reabilitação de deficientes em geral. Contra esta medida, diversas organizações têm escrito manifestos, que chegam de diversas partes do Brasil.

O problema central desta política pública é a incompreensão de que não existe “deficiente em geral”, e sim deficiências específicas, cada qual com sua particularidade. Juntar num mesmo balaio de gato pessoas com necessidades tão distintas não lhes fará um bem, ao contrário, negará a estas pessoas o direito de serem atendidas em suas especificidades. Ler mais »

Repúblicas estudantis de Ouro Preto:
uma educação para a vida

Por Flávio Tonnetti

Grande parte dos jovens que vão estudar nas faculdades públicas da cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, muito provavelmente terá como destino uma das muitas repúblicas estudantis lá existentes.As repúblicas são um tipo de moradia regulada e administrada pelos próprios estudantes e que são, no caso de Ouro Preto, ou de propriedade da universidade ou alugadas pelos estudantes. Ler mais »

Entre a denúncia e o lirismo:
imagens de cidadania em textos de alunos da rede pública

Por Flávio Tonnetti

Na instituição para a qual trabalho, uma das diretorias de ensino do Estado de São Paulo, foi lançado um concurso para os alunos da rede pública cujo tema era “a cidade que nós queremos”. O concurso, que tinha por inspiração modelos bem conhecidos, foi chamado de Jovem Parlamento e tinha como tônica captar dos jovens o imaginário que eles têm da cidade onde vivem bem como as sugestões que poderiam dar para sua melhoria. Tudo de acordo. Tudo perfeito.Boatos informaram que o concurso estaria sendo financiado por um político da região, derrotado nas últimas eleições, e candidato certo para as próximas. Isto, em princípio, não desabona o concurso, que dará como prêmio aos melhores trabalhos um microssistem, um aparelho de DVD e um computador – ao melhor desenho do ciclo I, melhor texto do ciclo II e melhor texto do ensino médio, respectivamente. O patrocínio do político diz respeito justamente aos prêmios. Para as horas de trabalho dos professores e coordenadores pedagógicos e o custo com transporte dos que foram convocados para a divulgação do concurso, nisto arcou o Estado. E tudo vai indo bem. Ler mais »

Usando Malhação para aprender redação

Por Flávio Tonnetti

Muitas vezes professores relutam em trabalhar com conteúdos fornecidos pela mídia televisiva. São poucos os que aproveitam oportunidades de utilizar um Big Brother ou um programa de auditório para fazer uma reflexão. Quando ela ocorre, limita-se, no mais das vezes, ao noticiário.Nova protagonista de Malhação: aluna pobre chora ao ser acusada de roubo numa trama que anuncia conflito de classes

Uma boa oportunidade se apresenta agora com o início de uma nova temporada da novela vespertina Malhação. Explico. A novela, que muito se esforça para ser uma espécie de “bom moço” da televisão brasileira, frequentemente lança em seus capítulos questões éticas das mais diversas, numa tentativa de ensinar “bons valores aos jovens”. Mas neste ponto ela, infelizmente, fracassa, sendo um interlocutor muito fraco pra qualquer um que queira discutir conduta, direitos humanos, ou políticas sociais e ambientais dentro de uma cadeira de sociologia ou filosofia. Para estes fins, muito mais interessantes do que a “novelinha” são as “novelonas” – principalmente quando nas mãos de um Manoel Carlos ou de uma Glória Perez. Ler mais »

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