ONGs educacionais: o privado na brecha do público
Por Fabrício Barros
A parca qualidade dos recursos humanos resulta da necessidade da massificação do ensino fundamental e médio no Brasil, a partir da Constituição de 1988, a qual garantiu o acesso universal à educação. Seu cunho é ‘democratista’, visto que impõe ao Estado o ônus de solucionar num espaço de tempo exíguo um grande déficit educacional, causando um desequilíbrio estrutural, uma vez que a massificação foi - e ainda o é - promovida mesmo diante da carência de pessoal adequado. Seu resultado mais objetivo é a má formação dos educandos e, não raro, educadores tão mal formados que acabam por agravar o quadro vigente.
Com o objetivo de atingir metas grandiosas de diminuição do analfabetismo, mecanismos bizarros como a ‘progressão continuada’ foram criados. Suas conseqüências aí estão: um incrível contingente de pessoas que formalmente têm o diploma do ensino médio ou fundamental, mas que são, inequivocamente, analfabetos funcionais; a má qualidade dos novos profissionais que se formaram na esteira desse processo, que tende a sedimentar a má qualidade da educação pública. Não é preciso ir a muitas escolas para se notar a obtusidade e a falta de domínio sobre o conteúdo de muitos professores. Ler mais »
