Arquivo da categoria 'Educação'

Educação Musical e tecnologias de Educação a Distância

por Flávio  Tonnetti

 

.Buscando atender uma demanda social, o governo brasileiro promulgou uma lei tornando obrigatório o ensino de música na Educação Básica. A lei 11.769 institui, assim, o reconhecimento da música como conteúdo e prática cultural a ser preservada, mantida e ensinada para as novas gerações. Imediatamente criou-se uma nova demanda por educadores musicais, repetindo na música algo parecido ao que ocorreu em relação ao ensino de sociologia e filosofia, disciplinas que voltaram ao ensino médio também em virtude de uma lei no mesmo ano de 2008.

Para suprir esta demanda por educadores musicais, algumas universidades públicas e privadas passaram a complementar seus bacharelados com habilitações para o ensino e o fortalecimento, ou mesmo a implementação, de licenciaturas em música. Paralelamente a este fortalecimento de cursos presenciais já existentes, houve a adoção da modalidade de ensino à distância para formação de docentes de música – como é o caso da graduação em Educação Musical oferecida na modalidade de Educação a Distância pela UFSCar. Somadas estas ações, tudo nos leva a crer que num futuro próximo, graças à ampliação do número de licenciados em música, possa haver o oferecimento efetivo de música na Educação Básica e a garantia plena da realização da lei. Ler mais »

Polícia Militar e o Fracasso da Ética

por Flávio Tonnetti

Ocupação da Câmara

Embora muito pudesse ser dito sobre o fracasso da ética nas ações do Estado durante os protestos brasileiros – as chamadas jornadas de junho de 2013 – o que me motivou a escrever este texto foi o que aconteceu durante a ocupação da câmara de vereadores do Rio de Janeiro em setembro, uma reivindicação popular que, como evento, podemos considerar como parte deste processo, como continuação da onda concêntrica das grandes marchas que levaram a população às ruas em luta por melhores condições de vida.

Esta ocupação, feita por professores na câmara de vereadores do Rio de Janeiro, tem um caráter paradoxal de difícil dissolução: ao mesmo tempo em que constitui uma reivindicação popular em oposição ou contra o Estado – que poderia ser traduzida na fórmula “Povo versus Estado” – é também um movimento de cisão no interior do próprio Estado já que os professores da escola pública são agentes estatais – traduzindo-se numa forma “Estado versus Estado”. Ler mais »

Assistência estudantil e apoio ao conhecimento

Por Flávio Tonnetti

 

Avança-se no campo da assistência estudantil toda vez que consideramos também a educação a partir das necessidades do aluno. Avançamos quando consideramos o suporte ao aluno como um mecanismo necessário para o seu acesso ao ensino e também para sua permanência – tanto no ensino superior, quanto nos níveis de educação mais básicos e elementares.

É por isso que a oferta de merenda escolar, em creches e escolas, não pode ser vista como assistencialismo estatal, ou esmola para os pobres, mas como estratégia de manutenção do aluno dentro deste ambiente escolar: é preciso que coma para que aprenda.

A oferta de merenda visa, portanto, a realização de um objetivo pedagógico: aprender e permanecer na escola. Uma instituição que tem por determinação ensinar e formar seres humanos deve lançar mão de todos os recursos possíveis para atingir este fim. Se sua missão é o ensino, deverá então garantir, de todas as maneiras possíveis, as condições para que o aprendizado aconteça. Ler mais »

Tempo e experiência docente

Por Flávio Tonnetti

O tempo é o lugar do homem, portanto, é também o lugar da história. E o homem só se realiza na história, porque é somente nas sucessões do tempo, ou das eras, que o homem se inventa. É nas sucessões de tempo que o homem se cria.

Ao contar suas trajetórias e preservar suas culturas, homens que vieram antes ensinam a experiência humana a homens que virão depois. Assim, se o tempo é o lugar da história, é também o lugar da estória. Ler mais »

Gripe Suína e atraso no retorno às aulas

Por Flávio Tonnetti

Um novo tipo de gripe ocupou o foco principal dos noticiários no segundo semestre deste ano de dois mil e nove. A divulgação de que se tratava de um novo tipo mortal de gripe alarmou a população. Essa preocupação fez com que muita gente “precavida” buscasse modos paliativos de se proteger da gripe – o que aqueceu alguns mercados específicos de produtos hospitalares e farmacêuticos, já que máscaras cirúrgicas e gel bactericida foram vendidos como maneira de evitar o contágio. A gripe, que é um vírus, continuará assolando a espécie humana, e se transformando, não obstante essas medidas inócuas, até que uma vacina eficiente possa ser encontrada. Solução eficaz, mas ainda distante. Ler mais »

A Educação como Setor Estratégico

Por Flávio Tonnetti

Não é mais possível justificar nossas mazelas a partir da juventude de nosso país. Basta nos lembrarmos de que os EUA surgem aproximadamente na mesma época e que o Japão recuperou-se de uma completa destruição em cerca de meio século. Aliás, alegar que somos um país em construção nunca me pareceu uma justificativa razoável para continuarmos a ser o que somos: um país de medíocres.

É seguro afirmarmos que uma série de condições históricas nos conduziu aos dias de hoje, e que características culturais que herdamos e que desenvolvemos continuam a contribuir para que não alcancemos um status maduro de civilização. Ler mais »

Qualidade de serviços educacionais e a noção de projeto

Por Flávio Tonnetti

Para Nilson Machado

 

Qualidade é sempre um dos temas abordados e criticados quando o assunto é educação. Na escola pública ou no ensino privado, a qualidade é sempre um ponto crucial. Tema nebuloso, é difícil encontrar um parâmetro universal e adequado que seja capaz de orientar nosso juízo de valor sobre práticas educacionais. Diferentemente de um objeto produzido numa fábrica, que pode ser submetido a testes e validações subseqüentes ao seu processo de fatura, um ser humano, que é o bem maior que figura como resultado de um processo educacional, não pode ser avaliado a partir de parâmetros tão estritos.

Se não podemos avaliar uma dinâmica educacional através do produto que ele gera, podemos fazê-lo, entretanto, se considerarmos a educação como um serviço. Embora esta comparação possa incomodar alguns educadores mais delicados, o lugar que a educação ocupa nos dias de hoje não é outro senão o de uma prestação de serviços, e que inclusive pode ser, e muitas vezes o é, um ramo de negócios muito lucrativo. Ler mais »

Para o mau profissional de enfermagem

Por Flávio Tonnetti

Há uma dimensão dadivosa preservada ao ofício do profissional de enfermagem. Ele deve entender e alcançar a dimensão da vida no que ela tem de mais frágil. É com a fragilidade que ele lida, todo dia. Ele recebe, ele acolhe, ele limpa: ele acalenta. Ele está lá para cuidar: sua única e primeira função. Ele está lá para o outro, jamais para si mesmo. Enfermagem é sempre “para” alguém e nunca “de” alguém. E se o médico pode optar entre o doente e a doença, o enfermeiro não; para este último só há o doente, e não há nada para ser cuidado que não seja o ser humano. E ele melhora o ser humano. Ele que acalenta, melhora o ser humano naquele gesto que recebe, que acolhe e que limpa. Todo cocô, todo vômito, todo sangue; todo dia – tudo isso que sai das vísceras do ser, do corpo onde habita a vida – é recolhido e reconhecido pelo enfermeiro. Reside aí a metáfora mais bela da profissão, a metáfora diária do enfermeiro, que ele vive e sente cotidianamente: ao reconhecer o que é excremento do homem, ele reconhece também o homem, na sua condição mais visceral: ser que sofre. O enfermeiro pode então reconhecer-se em seu paciente: “estou vivo!” e “sinto e sangro e cago”. Ler mais »

Produção textual na escola: forma e conteúdo

Por Flávio Tonnetti

I

Os sistemas de escrita, bem como seus gêneros, têm sempre uma finalidade prática. Sempre. Escrevemos porque queremos algo, porque temos uma intenção por detrás do gesto. O ensino da escrita, portanto, deve visar o cumprimento destas diferentes finalidades. Elaboradores de livros didáticos, ou editores que fornecem material para treinamento de professores, todos eles, sabem disto: que cada texto tem uma vocação. O próprio texto didático tem uma finalidade, e por isto tem uma forma.

Reparar nas diferenças e semelhanças entre uma lista de compras, que serve a um determinado fim, e um poema, que serve a um fim bem diverso, pode ser algo instrutivo. Perceber que não é ao acaso que uma carta tenha um formato diferente de um relatório também. No caderno de matemática, uma conta de subtração, que, não nos esqueçamos, também é escrita, é radicalmente diferente de um conto de Machado de Assis. A mesma conta de subtração, no caderno de um mesmo aluno, já é bem diferente de uma conta de divisão, por exemplo. São registros textuais diferentes porque têm finalidades diferentes. Ler mais »

Fundão MTV, a escola escancarada

Por Flávio Tonnetti

Para Flávia Santos

Diferentemente do global “Soletrando” ou do tradicional “Passa ou Repassa” do SBT, que insistem em querem saber qual é o aluno mais inteligente, o programa Fundão MTV, comandado pelo apresentador João Gordo, toca uma questão menos direta: quer apenas descobrir quem é o menos burro. Estamos na busca dos sobreviventes, portanto.

Com o programa queremos saber qual foi o aluno que, apesar de todos os reveses da educação brasileira, principalmente os da educação pública, foi capaz de sair ileso e de passar impune. Por isto mesmo é que, dentro do contexto educacional brasileiro, o Fundão MTV é, dentre todos os programas do gênero, o menos hipócrita.

Nada de crianças bonitinhas. Nada de crianças comportadinhas. Nada de índices escolares dos “mais esforçados”. Embora haja equipes competindo tal qual o clássico “Passa ou Repassa”, o Fundão MTV segue a linha dos programas freaks comandados por João Gordo. Seus participantes muitas vezes se destacam já pelo visual exótico. São rapazes góticos, meninas super pintadas, manos do rap e roqueiros com camisetas em evidência. Estão lá os que se destacam na multidão. Os que têm alguma personalidade. Ler mais »

Estamos em greve

Por Flávio Tonnetti

Milhares de professores na Praça da República “A greve continua, Serra a culpa é sua”. Ao som destas palavras de ordem, cantadas como um bordão, milhares de professores e profissionais da educação ocuparam toda a extensão da Avenida Paulista e marcharam em direção à Praça da República, onde fica sediada a Secretaria Estadual de Educação. A marcha, que parou o trânsito da cidade, teve por objetivo pressionar o governo para que medidas incoerentes, em relação à Educação Paulista, fossem revistas.

Os professores, em greve deste a última semana, querem a revogação de decretos sancionados pelo governador. Os decretos impedem ao professor a possibilidade de pedir transferência para escolas mais próximas à sua residência e limitam a apresentação de atestados médicos para justificar faltas, contrariando assim o direito ao tratamento médico, assegurado a todo trabalhador. Ler mais »

O conhecimento como commodity

Por Flávio Tonnetti

Peter Drucker, um dos gurus da administração, muito conhecido por suas palestras corporativas de gestão, escreveu, assim como muitos outros “gurus”, sobre a “nova” sociedade do conhecimento. Em sua versão de mundo, presente em publicações como Administrando em tempos de grande mudança, o conhecimento é a grande commodity nessa nova ordem mundial. Pode, portanto, gerar riquezas e contribuir para o desenvolvimento de um país; pode alavancar mercados para corporações e empresas. Por ter um papel central, como produtora de conhecimento, a escola deveria, nesta concepção, ser o centro da sociedade. Ler mais »

O baixo salário do professorado paulista: quando o barato sai caro.

Por Flávio Tonnetti

Não é de hoje que o Estado paulista reconhece a falta de profissionais competentes na rede pública de ensino. Sabemos que o baixo salário ofertado para os cargos de professor acaba por afastar os bons profissionais do exercício público. Os bons, que não largam a profissão – pois muitos largam – são aproveitados pelas escolas privadas que, apesar de serem acusadas de limitar a atuação do professor e pasteurizar o ensino, ainda, ao menos, pagam melhor. Ler mais »

Jornal do Aluno nas comunidades do Orkut

Por Flávio Tonnetti

O governo estadual de São Paulo elaborou um material para resolver a defasagem dos estudantes da rede pública de ensino. O material, que contemplava todas as matérias, nos moldes de uma apostila, recebeu o nome de Jornal do Aluno – já que sua forma simulava a de um jornal.

Durante todo o período em que foi utilizado – o primeiro semestre de 2008 – o jornal foi alvo de comentários e críticas em inúmeras comunidades do Orkut – o site de relacionamentos mais popular entre os brasileiros.

Muitas das comunidades que foram criadas tinham nomes curiosos que demonstravam muito bem a opinião dos estudantes em relação ao material ao qual tiveram que se submeter. Nomes como “Eu odeio o jornal do aluno”, “Vou queimar o jornal do aluno” e “Jornal do aluno O Caralho” encabeçam a lista das comunidades – demonstrando, para utilizar um eufemismo, o “desapreço” dos estudantes pelo tão alardeado Jornal. Ler mais »

Avanços ou retrocessos no Ensino de Filosofia em São Paulo

Por Flávio Tonnetti

Convencidos de que a educação paulista está entre as piores do Brasil – apesar de São Paulo ter, por conta da arrecadação de impostos, a maior verba, dentre os estados da federação, destinada ao ensino público – o governo José Serra decidiu tomar providências.

Uma delas, que afeta diretamente a função do professor e que interfere na condução dos estudos dos alunos, foi a elaboração de um material de recuperação em formato de jornal, no qual todas as matérias estão contempladas. Apesar de ser destinado à recuperação, muitos dos conteúdos são visto pelos alunos como “novidades” – o que serviria ou para apontar a defasagem no ensino dos alunos ou a inadequação do material – ou ambas. Ler mais »

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