Arquivo da categoria 'Ensino'

Tempo e experiência docente

Por Flávio Tonnetti

O tempo é o lugar do homem, portanto, é também o lugar da história. E o homem só se realiza na história, porque é somente nas sucessões do tempo, ou das eras, que o homem se inventa. É nas sucessões de tempo que o homem se cria.

Ao contar suas trajetórias e preservar suas culturas, homens que vieram antes ensinam a experiência humana a homens que virão depois. Assim, se o tempo é o lugar da história, é também o lugar da estória. Ler mais »

Gripe Suína e atraso no retorno às aulas

Por Flávio Tonnetti

Um novo tipo de gripe ocupou o foco principal dos noticiários no segundo semestre deste ano de dois mil e nove. A divulgação de que se tratava de um novo tipo mortal de gripe alarmou a população. Essa preocupação fez com que muita gente “precavida” buscasse modos paliativos de se proteger da gripe – o que aqueceu alguns mercados específicos de produtos hospitalares e farmacêuticos, já que máscaras cirúrgicas e gel bactericida foram vendidos como maneira de evitar o contágio. A gripe, que é um vírus, continuará assolando a espécie humana, e se transformando, não obstante essas medidas inócuas, até que uma vacina eficiente possa ser encontrada. Solução eficaz, mas ainda distante. Ler mais »

A Educação como Setor Estratégico

Por Flávio Tonnetti

Não é mais possível justificar nossas mazelas a partir da juventude de nosso país. Basta nos lembrarmos de que os EUA surgem aproximadamente na mesma época e que o Japão recuperou-se de uma completa destruição em cerca de meio século. Aliás, alegar que somos um país em construção nunca me pareceu uma justificativa razoável para continuarmos a ser o que somos: um país de medíocres.

É seguro afirmarmos que uma série de condições históricas nos conduziu aos dias de hoje, e que características culturais que herdamos e que desenvolvemos continuam a contribuir para que não alcancemos um status maduro de civilização. Ler mais »

Qualidade de serviços educacionais e a noção de projeto

Por Flávio Tonnetti

Para Nilson Machado

Qualidade é sempre um dos temas abordados e criticados quando o assunto é educação. Na escola pública ou no ensino privado, a qualidade é sempre um ponto crucial. Tema nebuloso, é difícil encontrar um parâmetro universal e adequado que seja capaz de orientar nosso juízo de valor sobre práticas educacionais. Diferentemente de um objeto produzido numa fábrica, que pode ser submetido a testes e validações subseqüentes ao seu processo de fatura, um ser humano, que é o bem maior que figura como resultado de um processo educacional, não pode ser avaliado a partir de parâmetros tão estritos.

Se não podemos avaliar uma dinâmica educacional através do produto que ele gera, podemos fazê-lo, entretanto, se considerarmos a educação como um serviço. Embora esta comparação possa incomodar alguns educadores mais delicados, o lugar que a educação ocupa nos dias de hoje não é outro senão o de uma prestação de serviços, e que inclusive pode ser, e muitas vezes o é, um ramo de negócios muito lucrativo. Ler mais »

Produção textual na escola: forma e conteúdo

Por Flávio Tonnetti

I

Os sistemas de escrita, bem como seus gêneros, têm sempre uma finalidade prática. Sempre. Escrevemos porque queremos algo, porque temos uma intenção por detrás do gesto. O ensino da escrita, portanto, deve visar o cumprimento destas diferentes finalidades. Elaboradores de livros didáticos, ou editores que fornecem material para treinamento de professores, todos eles, sabem disto: que cada texto tem uma vocação. O próprio texto didático tem uma finalidade, e por isto tem uma forma.

Reparar nas diferenças e semelhanças entre uma lista de compras, que serve a um determinado fim, e um poema, que serve a um fim bem diverso, pode ser algo instrutivo. Perceber que não é ao acaso que uma carta tenha um formato diferente de um relatório também. No caderno de matemática, uma conta de subtração, que, não nos esqueçamos, também é escrita, é radicalmente diferente de um conto de Machado de Assis. A mesma conta de subtração, no caderno de um mesmo aluno, já é bem diferente de uma conta de divisão, por exemplo. São registros textuais diferentes porque têm finalidades diferentes. Ler mais »

Estamos em greve

Por Flávio Tonnetti

Milhares de professores na Praça da República “A greve continua, Serra a culpa é sua”. Ao som destas palavras de ordem, cantadas como um bordão, milhares de professores e profissionais da educação ocuparam toda a extensão da Avenida Paulista e marcharam em direção à Praça da República, onde fica sediada a Secretaria Estadual de Educação. A marcha, que parou o trânsito da cidade, teve por objetivo pressionar o governo para que medidas incoerentes, em relação à Educação Paulista, fossem revistas.

Os professores, em greve deste a última semana, querem a revogação de decretos sancionados pelo governador. Os decretos impedem ao professor a possibilidade de pedir transferência para escolas mais próximas à sua residência e limitam a apresentação de atestados médicos para justificar faltas, contrariando assim o direito ao tratamento médico, assegurado a todo trabalhador. Ler mais »

O conhecimento como commodity

Por Flávio Tonnetti

Peter Drucker, um dos gurus da administração, muito conhecido por suas palestras corporativas de gestão, escreveu, assim como muitos outros “gurus”, sobre a “nova” sociedade do conhecimento. Em sua versão de mundo, presente em publicações como Administrando em tempos de grande mudança, o conhecimento é a grande commodity nessa nova ordem mundial. Pode, portanto, gerar riquezas e contribuir para o desenvolvimento de um país; pode alavancar mercados para corporações e empresas. Por ter um papel central, como produtora de conhecimento, a escola deveria, nesta concepção, ser o centro da sociedade. Ler mais »

O baixo salário do professorado paulista: quando o barato sai caro.

Por Flávio Tonnetti

Não é de hoje que o Estado paulista reconhece a falta de profissionais competentes na rede pública de ensino. Sabemos que o baixo salário ofertado para os cargos de professor acaba por afastar os bons profissionais do exercício público. Os bons, que não largam a profissão - pois muitos largam - são aproveitados pelas escolas privadas que, apesar de serem acusadas de limitar a atuação do professor e pasteurizar o ensino, ainda, ao menos, pagam melhor. Ler mais »

Jornal do Aluno nas comunidades do Orkut

Por Flávio Tonnetti

O governo estadual de São Paulo elaborou um material para resolver a defasagem dos estudantes da rede pública de ensino. O material, que contemplava todas as matérias, nos moldes de uma apostila, recebeu o nome de Jornal do Aluno - já que sua forma simulava a de um jornal.

Durante todo o período em que foi utilizado - o primeiro semestre de 2008 - o jornal foi alvo de comentários e críticas em inúmeras comunidades do Orkut - o site de relacionamentos mais popular entre os brasileiros.

Muitas das comunidades que foram criadas tinham nomes curiosos que demonstravam muito bem a opinião dos estudantes em relação ao material ao qual tiveram que se submeter. Nomes como “Eu odeio o jornal do aluno”, “Vou queimar o jornal do aluno” e “Jornal do aluno O Caralho” encabeçam a lista das comunidades - demonstrando, para utilizar um eufemismo, o “desapreço” dos estudantes pelo tão alardeado Jornal. Ler mais »

Avanços ou retrocessos no Ensino de Filosofia em São Paulo

Por Flávio Tonnetti

Convencidos de que a educação paulista está entre as piores do Brasil - apesar de São Paulo ter, por conta da arrecadação de impostos, a maior verba, dentre os estados da federação, destinada ao ensino público - o governo José Serra decidiu tomar providências.

Uma delas, que afeta diretamente a função do professor e que interfere na condução dos estudos dos alunos, foi a elaboração de um material de recuperação em formato de jornal, no qual todas as matérias estão contempladas. Apesar de ser destinado à recuperação, muitos dos conteúdos são visto pelos alunos como “novidades” - o que serviria ou para apontar a defasagem no ensino dos alunos ou a inadequação do material - ou ambas. Ler mais »

Apeoesp: um sindicato não representativo

Por Flávio Tonnetti

Por conta dos malefícios que a categoria profissional dos docentes da rede pública de São Paulo está sofrendo, achei que havia chegado a hora de tomar parte nos movimentos sindicalistas. Foi motivado por isto que compareci a uma reunião promovida no sindicato para discutir a situação do ensino de filosofia, sociologia e psicologia dentro da estrutura atual da escola pública paulista.

Embora em melhor situação que os professores de sociologia e psicologia - que perderam suas aulas, já não tendo mais postos de trabalho no estado de São Paulo dentro da rede pública - os filósofos também vêm acompanhando a diminuição de seus postos de trabalho pela diminuição de aulas. Ler mais »

Da universidade privada para a escola pública

Por Flávio Tonnetti

É patente o fato de que nossa sociedade carece de professores, mas não de licenciados. A abundância de profissionais legalmente aptos ao exercício docente é facilmente verificada pela quantidade de cursos voltados à licenciatura nas universidades privadas, que lançam, todos os anos, milhares de pessoas ao mercado educacional.

Para quem deseja adquirir uma habilitação profissional em educação, tanto os grandes conglomerados de ensino, com siglas bem conhecidas de todos nós, quanto as faculdades de fundo de quintal, oferecem cursos bem atraentes. É muito comum, e conveniente, que sejam cursos rápidos - em apenas três anos é possível graduar-se e licenciar-se em Letras, História ou Pedagogia. Ler mais »

Educação Paulista: sem equipe nas escolas.

Por Flávio Tonnetti

Muito em breve acabará o primeiro bimestre letivo e as escolas públicas de São Paulo continuam sem coordenadores pedagógicos. Também sentem falta de auxiliares de serviços gerais e de pessoal para o trabalho de escritório.

Uma das “promessas” da Secretária Estadual de Educação era justamente contratar os coordenadores até dezembro do ano passado, caso em que a ausência destes profissionais não causaria transtornos ao cotidiano escolar. Estas contratações foram anunciadas junto com as “metas” do governo - metas que já iniciam demonstrando um fracasso ou, no mínimo, defasagem; se quisermos ser generosos para com os gestores tucanos da educação paulista. Ler mais »

João Victor: o jovem herói da educação brasileira

Por Arthur Meucci e Flávio Tonnetti

O conceito de “juventude” é uma construção social, que tanto distingue um indivíduo como o limita em sua trajetória de vida. Uma pessoa com trinta anos, para determinados mercados, e em determinados ramos de atuação profissional, pode ser considerada velha demais para iniciar uma carreira, no entanto, em contrapartida, pode ser “jovem demais” para ocupar o cargo de presidente de uma empresa. Embora o fator “idade” seja um fator objetivo – uma medição de tempo, biologicamente verificável – os conceitos de juventude e velhice, que orbitam em torno dela, não obedecem a parâmetros bem estabelecidos. O que significa dizer que uma pessoa de 16 anos é adulta para votar e muito jovem para dirigir?

O conceito de juventude pode, portanto, ser utilizado tanto como mecanismo de legitimação como de deslegitimação – categoria imposta por agentes dominantes em determinado campo social. Embora possa ser utilizada como sinônimo de inovação, vigor ou beleza, a palavra jovem carrega consigo, na maioria das vezes, a carga simbólica de inexperiência, imaturidade, irresponsabilidade ou inaptidão. Notamos o emprego pejorativo do termo quando “velhos experientes”, defendendo seu campo social, desejam excluir ou limitar a participação de indivíduos que propõem mudanças nas estruturas sociais e de poder. Ler mais »

Falseando informações na educação pública:
bibliotecas e salas de informática

Por Flávio Tonnetti 

A maioria das escolas com as quais tive contato sempre declararam ter bibliotecas e sala de informática. É uma resposta automática. Os gestores das instituições escolares consideram, obviamente, estes itens importantes - e sabem que para serem considerados bons gestores estes itens devem ser declarados.

Mas o que acontece é que aquilo que se chama de “biblioteca” ou de “sala de informática”, muitas vezes, não passa de um engodo. Às vezes, as escolas de fato têm livros, às vezes, têm também computadores. São materiais enviados pelos governos estaduais e federais às escolas. Eles constam das listas governamentais de remessa e estão previstos em muitos orçamentos. Ler mais »

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