Por Arthur Meucci e Flávio Tonnetti
O conceito de “juventude” é uma construção social, que tanto distingue um indivíduo como o limita em sua trajetória de vida. Uma pessoa com trinta anos, para determinados mercados, e em determinados ramos de atuação profissional, pode ser considerada velha demais para iniciar uma carreira, no entanto, em contrapartida, pode ser “jovem demais” para ocupar o cargo de presidente de uma empresa. Embora o fator “idade” seja um fator objetivo – uma medição de tempo, biologicamente verificável – os conceitos de juventude e velhice, que orbitam em torno dela, não obedecem a parâmetros bem estabelecidos. O que significa dizer que uma pessoa de 16 anos é adulta para votar e muito jovem para dirigir?
O conceito de juventude pode, portanto, ser utilizado tanto como mecanismo de legitimação como de deslegitimação – categoria imposta por agentes dominantes em determinado campo social. Embora possa ser utilizada como sinônimo de inovação, vigor ou beleza, a palavra jovem carrega consigo, na maioria das vezes, a carga simbólica de inexperiência, imaturidade, irresponsabilidade ou inaptidão. Notamos o emprego pejorativo do termo quando “velhos experientes”, defendendo seu campo social, desejam excluir ou limitar a participação de indivíduos que propõem mudanças nas estruturas sociais e de poder. Ler mais »