Arquivo da categoria 'Ensino'

Educação Paulista: sem equipe nas escolas.

Por Flávio Tonnetti

Muito em breve acabará o primeiro bimestre letivo e as escolas públicas de São Paulo continuam sem coordenadores pedagógicos. Também sentem falta de auxiliares de serviços gerais e de pessoal para o trabalho de escritório.

Uma das “promessas” da Secretária Estadual de Educação era justamente contratar os coordenadores até dezembro do ano passado, caso em que a ausência destes profissionais não causaria transtornos ao cotidiano escolar. Estas contratações foram anunciadas junto com as “metas” do governo – metas que já iniciam demonstrando um fracasso ou, no mínimo, defasagem; se quisermos ser generosos para com os gestores tucanos da educação paulista. Ler mais »

João Victor: o jovem herói da educação brasileira

Por Arthur Meucci e Flávio Tonnetti

O conceito de “juventude” é uma construção social, que tanto distingue um indivíduo como o limita em sua trajetória de vida. Uma pessoa com trinta anos, para determinados mercados, e em determinados ramos de atuação profissional, pode ser considerada velha demais para iniciar uma carreira, no entanto, em contrapartida, pode ser “jovem demais” para ocupar o cargo de presidente de uma empresa. Embora o fator “idade” seja um fator objetivo – uma medição de tempo, biologicamente verificável – os conceitos de juventude e velhice, que orbitam em torno dela, não obedecem a parâmetros bem estabelecidos. O que significa dizer que uma pessoa de 16 anos é adulta para votar e muito jovem para dirigir?

O conceito de juventude pode, portanto, ser utilizado tanto como mecanismo de legitimação como de deslegitimação – categoria imposta por agentes dominantes em determinado campo social. Embora possa ser utilizada como sinônimo de inovação, vigor ou beleza, a palavra jovem carrega consigo, na maioria das vezes, a carga simbólica de inexperiência, imaturidade, irresponsabilidade ou inaptidão. Notamos o emprego pejorativo do termo quando “velhos experientes”, defendendo seu campo social, desejam excluir ou limitar a participação de indivíduos que propõem mudanças nas estruturas sociais e de poder. Ler mais »

Falseando informações na educação pública:
bibliotecas e salas de informática

Por Flávio Tonnetti 

A maioria das escolas com as quais tive contato sempre declararam ter bibliotecas e sala de informática. É uma resposta automática. Os gestores das instituições escolares consideram, obviamente, estes itens importantes – e sabem que para serem considerados bons gestores estes itens devem ser declarados.

Mas o que acontece é que aquilo que se chama de “biblioteca” ou de “sala de informática”, muitas vezes, não passa de um engodo. Às vezes, as escolas de fato têm livros, às vezes, têm também computadores. São materiais enviados pelos governos estaduais e federais às escolas. Eles constam das listas governamentais de remessa e estão previstos em muitos orçamentos. Ler mais »

Desorganização dos dirigentes de ensino

Por Flávio Tonnetti

Na Educação Pública, o início do ano é o período de atribuição de aulas e contratação de profissionais.

Houve, no início desta temporada letiva, a inscrição de um concurso destinada aos cargos de serviço geral e organização escolar. A inscrição, feita pela internet, precisou, sem motivo claro, ser confirmada nas diretorias de ensino da região pretendida pelo candidato. Imagine a situação: milhares de pessoas inscritas no concurso se dirigindo a uma instituição para confirmar uma inscrição que já havia sido feita. O resultado, previsível, foi o caos. Sobretudo, porque essas instituições não estão capacitadas para receber esse volume de gente. E não estão capacitadas, porque não tem pessoal competente para organizar a logística. Ler mais »

Um Capeta em Forma de Guri:
uma paródia bizarra dos alunos-problema

Por Flávio Tonnetti

Não há como definir algumas das “obras de arte” que a televisão nos oferece. O adjetivo mais adequado para algumas delas talvez seja o adjetivo “bizarro”.

O achado mais recente foi a paródia de um filme, estranhíssimo, feita pelo grupo Hermes e Renato: “Um capeta em forma de guri“. Trata-se de um tipo de paródia que altera os diálogos originais do filme, que ficou popular na internet graças a uma dupla de rapazes que gravou suas vozes por cima de um episódio da antiga série de tevê Batman e Robin – aquela em que apareciam as onomatopéias de briga em balões de texto: “Pá!”, “Pum!”, “Tcham!”. Ler mais »

Financiamento público do desenvolvimento e da pesquisa

Por Flávio Tonnetti

Embora exista um discurso reinante sobre a valorização da pesquisa e do conhecimento, temos dificuldades enormes de observar isto na prática em nosso país. Pesquisa e Desenvolvimento são tópicos mencionados, sobretudo, no âmbito empresarial, mas mesmo aí são poucas as empresas que conseguem levar essa implementação adiante. No Desafio SEBRAE, por exemplo, um jogo, no qual os jovens de universidades brasileiras têm que administrar uma empresa num mercado competitivo, o item P&D é um dos pontos decisivos para a vitória – e que significa sobreviver no mercado e não falir a empresa.

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Gestão Competente: educação sem apadrinhados

Por Flávio Tonnetti

Esta semana, uma minuta, que chegou às diretorias de ensino, alarmou grande parte dos profissionais da educação. O documento, do governo estadual, informa sobre como serão selecionados no próximo ano cargos que hoje são ocupados, na educação pública, por indicação política. Ainda não publicada em Diário Oficial, acredita-se que antes de dar as cartas definitivamente, a cúpula do governo pretende avaliar os ânimos daqueles que serão afetados por tais medidas – que obrigarão, por exemplo, que cargos de gestão sejam obrigatoriamente ocupados por profissionais concursados, e obrigando mesmo os que já efetivos a se submeter a uma prova específica caso queiram permanecer onde estão. Evidente que tal medida vai tirar muita gente do jogo. Ler mais »

Sobre um painel “fofinho” II

Por Flávio Tonnetti

Parte II

*

Na quinta série F, a sala ao lado da quinta G, o painel fofinho está rasgado. Apenas um pequeno pedaço traz a lembrança bucólica do painel bonito. Atrás do painel revela-se uma lousa velha, nunca usada. Nem neste caso, nem no outro. São apenas suportes para sonhos que não existem. Mas, nesta sala, as pichações ocupam tudo. No teto, cones de papel, colados com chiclete, dão um ar tétrico à instalação.

Os sonhos estão arrasados. Ler mais »

Sobre um painel “fofinho”

Por Flávio Tonnetti

Parte I

*

Conheci uma escola numa cidade grande, cinza e esquecida: uma escola numa cidade sem graça. Uma escola que era sem graça como a cidade. Uma escola, enfim, como todas as escolas…

Numa das salas, uma quinta série G, havia uma painel colorido. Era um painel com belas fotos e recortes de revista. Uns coqueiros que lembravam muito as praias da Bahia: do Espelho e Caraívas. Uma ilha lembrando Fernando de Noronha – vista do alto, o mar azul em volta. Uma outra lembrava muito o capitólio – americano. E havia uma com umas flores dando vistas para a torre de Paris, a cidade luz. Ler mais »

Inclusão ou exclusão educacional de deficientes?
O caso dos surdos

Por Natália Frazão (surda) e Flávio Tonnetti (ouvinte)

 

Sob a bandeira da inclusão social, o MEC e diversas secretarias da educação estão desmontando as escolas especializadas em educação de surdos. A idéia é transformar estas escolas em centros de reabilitação de deficientes em geral. Contra esta medida, diversas organizações têm escrito manifestos, que chegam de diversas partes do Brasil.

O problema central desta política pública é a incompreensão de que não existe “deficiente em geral”, e sim deficiências específicas, cada qual com sua particularidade. Juntar num mesmo balaio de gato pessoas com necessidades tão distintas não lhes fará um bem, ao contrário, negará a estas pessoas o direito de serem atendidas em suas especificidades. Ler mais »

Repúblicas estudantis de Ouro Preto:
uma educação para a vida

Por Flávio Tonnetti

Grande parte dos jovens que vão estudar nas faculdades públicas da cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, muito provavelmente terá como destino uma das muitas repúblicas estudantis lá existentes.As repúblicas são um tipo de moradia regulada e administrada pelos próprios estudantes e que são, no caso de Ouro Preto, ou de propriedade da universidade ou alugadas pelos estudantes. Ler mais »

Ballet na escola pública

Por Flávio Tonnetti

Celebrando um convênio entre a Secretaria da Educação paulista e a companhia de dança Ballet Stagium, as escolas públicas de São Paulo vêm recebendo apresentações itinerantes de dança. O espetáculo “Coisas do Brasil”, escolhido para tais apresentações, funda uma experiência nova de aprendizagem. Uma experiência não livresca.Cena do espetáculo 'Coisas do Brasil'

Utilizando outras formas de narrar que não a palavra, o balé nos ensina algo. Lembra-nos de que o corpo está vivo; e que comunica. Aqui, o gesto também é palavra e a palavra, não esqueçamo-nos, só acontece enquanto gesto: na voz que baila ou no papel pela mão cristalizada.

A coreografia deste espetáculo conta, com movimentos, a história brasileira desde suas raízes indígenas. Está tudo lá: desde a chegada dos portugueses até a abertura do Brasil para os capitais externos nas metades do século passado, particularmente os norte-americanos. Nem mesmo o movimento de migração em massa das populações nordestinas para o sudeste ficou de fora. Tudo dito sem palavras. Ler mais »

Entre a denúncia e o lirismo:
imagens de cidadania em textos de alunos da rede pública

Por Flávio Tonnetti

Na instituição para a qual trabalho, uma das diretorias de ensino do Estado de São Paulo, foi lançado um concurso para os alunos da rede pública cujo tema era “a cidade que nós queremos”. O concurso, que tinha por inspiração modelos bem conhecidos, foi chamado de Jovem Parlamento e tinha como tônica captar dos jovens o imaginário que eles têm da cidade onde vivem bem como as sugestões que poderiam dar para sua melhoria. Tudo de acordo. Tudo perfeito.Boatos informaram que o concurso estaria sendo financiado por um político da região, derrotado nas últimas eleições, e candidato certo para as próximas. Isto, em princípio, não desabona o concurso, que dará como prêmio aos melhores trabalhos um microssistem, um aparelho de DVD e um computador – ao melhor desenho do ciclo I, melhor texto do ciclo II e melhor texto do ensino médio, respectivamente. O patrocínio do político diz respeito justamente aos prêmios. Para as horas de trabalho dos professores e coordenadores pedagógicos e o custo com transporte dos que foram convocados para a divulgação do concurso, nisto arcou o Estado. E tudo vai indo bem. Ler mais »

Usando Malhação para aprender redação

Por Flávio Tonnetti

Muitas vezes professores relutam em trabalhar com conteúdos fornecidos pela mídia televisiva. São poucos os que aproveitam oportunidades de utilizar um Big Brother ou um programa de auditório para fazer uma reflexão. Quando ela ocorre, limita-se, no mais das vezes, ao noticiário.Nova protagonista de Malhação: aluna pobre chora ao ser acusada de roubo numa trama que anuncia conflito de classes

Uma boa oportunidade se apresenta agora com o início de uma nova temporada da novela vespertina Malhação. Explico. A novela, que muito se esforça para ser uma espécie de “bom moço” da televisão brasileira, frequentemente lança em seus capítulos questões éticas das mais diversas, numa tentativa de ensinar “bons valores aos jovens”. Mas neste ponto ela, infelizmente, fracassa, sendo um interlocutor muito fraco pra qualquer um que queira discutir conduta, direitos humanos, ou políticas sociais e ambientais dentro de uma cadeira de sociologia ou filosofia. Para estes fins, muito mais interessantes do que a “novelinha” são as “novelonas” – principalmente quando nas mãos de um Manoel Carlos ou de uma Glória Perez. Ler mais »

ONGs educacionais: o privado na brecha do público

Por Fabrício Barros

A parca qualidade dos recursos humanos resulta da necessidade da massificação do ensino fundamental e médio no Brasil, a partir da Constituição de 1988, a qual garantiu o acesso universal à educação. Seu cunho é ‘democratista’, visto que impõe ao Estado o ônus de solucionar num espaço de tempo exíguo um grande déficit educacional, causando um desequilíbrio estrutural, uma vez que a massificação foi – e ainda o é – promovida mesmo diante da carência de pessoal adequado. Seu resultado mais objetivo é a má formação dos educandos e, não raro, educadores tão mal formados que acabam por agravar o quadro vigente.

Com o objetivo de atingir metas grandiosas de diminuição do analfabetismo, mecanismos bizarros como a ‘progressão continuada’ foram criados. Suas conseqüências aí estão: um incrível contingente de pessoas que formalmente têm o diploma do ensino médio ou fundamental, mas que são, inequivocamente, analfabetos funcionais; a má qualidade dos novos profissionais que se formaram na esteira desse processo, que tende a sedimentar a má qualidade da educação pública. Não é preciso ir a muitas escolas para se notar a obtusidade e a falta de domínio sobre o conteúdo de muitos professores. Ler mais »

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