Arquivo da categoria 'Gestão Educacional'

Inclusão ou exclusão educacional de deficientes?
O caso dos surdos

Por Natália Frazão (surda) e Flávio Tonnetti (ouvinte)

 

Sob a bandeira da inclusão social, o MEC e diversas secretarias da educação estão desmontando as escolas especializadas em educação de surdos. A idéia é transformar estas escolas em centros de reabilitação de deficientes em geral. Contra esta medida, diversas organizações têm escrito manifestos, que chegam de diversas partes do Brasil.

O problema central desta política pública é a incompreensão de que não existe “deficiente em geral”, e sim deficiências específicas, cada qual com sua particularidade. Juntar num mesmo balaio de gato pessoas com necessidades tão distintas não lhes fará um bem, ao contrário, negará a estas pessoas o direito de serem atendidas em suas especificidades. Ler mais »

Entre a denúncia e o lirismo:
imagens de cidadania em textos de alunos da rede pública

Por Flávio Tonnetti

Na instituição para a qual trabalho, uma das diretorias de ensino do Estado de São Paulo, foi lançado um concurso para os alunos da rede pública cujo tema era “a cidade que nós queremos”. O concurso, que tinha por inspiração modelos bem conhecidos, foi chamado de Jovem Parlamento e tinha como tônica captar dos jovens o imaginário que eles têm da cidade onde vivem bem como as sugestões que poderiam dar para sua melhoria. Tudo de acordo. Tudo perfeito.Boatos informaram que o concurso estaria sendo financiado por um político da região, derrotado nas últimas eleições, e candidato certo para as próximas. Isto, em princípio, não desabona o concurso, que dará como prêmio aos melhores trabalhos um microssistem, um aparelho de DVD e um computador – ao melhor desenho do ciclo I, melhor texto do ciclo II e melhor texto do ensino médio, respectivamente. O patrocínio do político diz respeito justamente aos prêmios. Para as horas de trabalho dos professores e coordenadores pedagógicos e o custo com transporte dos que foram convocados para a divulgação do concurso, nisto arcou o Estado. E tudo vai indo bem. Ler mais »

ONGs educacionais: o privado na brecha do público

Por Fabrício Barros

A parca qualidade dos recursos humanos resulta da necessidade da massificação do ensino fundamental e médio no Brasil, a partir da Constituição de 1988, a qual garantiu o acesso universal à educação. Seu cunho é ‘democratista’, visto que impõe ao Estado o ônus de solucionar num espaço de tempo exíguo um grande déficit educacional, causando um desequilíbrio estrutural, uma vez que a massificação foi – e ainda o é – promovida mesmo diante da carência de pessoal adequado. Seu resultado mais objetivo é a má formação dos educandos e, não raro, educadores tão mal formados que acabam por agravar o quadro vigente.

Com o objetivo de atingir metas grandiosas de diminuição do analfabetismo, mecanismos bizarros como a ‘progressão continuada’ foram criados. Suas conseqüências aí estão: um incrível contingente de pessoas que formalmente têm o diploma do ensino médio ou fundamental, mas que são, inequivocamente, analfabetos funcionais; a má qualidade dos novos profissionais que se formaram na esteira desse processo, que tende a sedimentar a má qualidade da educação pública. Não é preciso ir a muitas escolas para se notar a obtusidade e a falta de domínio sobre o conteúdo de muitos professores. Ler mais »

A decadência da escola particular:
o que as notas do Enem têm nos mostrado

Por Flávio Tonnetti 

O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio, o famoso Enem, tem sido notícia de muitos jornais ao longo do ano. Muitas reportagens usaram os dados para tornar evidente a decadência da escola pública brasileira. Como os jornais noticiaram, na cidade de São Paulo, por exemplo, nenhuma escola pública foi capaz de atingir a marca de 50% de acertos no teste.Por conta dos vestibulares de fim de ano, muitos dos quais utilizarão os resultados do Enem para calcular a nota dos vestibulandos, é bem possível que a discussão, sobre os índices de acerto, volte à tona. Ler mais »

Educação:
quando dinheiro não é problema, nem solução.

Por Flávio Tonnetti

Para qualquer coisa que se queira construir, a estrutura, ensina a construção civil, é condição sine qua non para garantir a boa execução e finalização da obra.No âmbito educacional, podemos nos apropriar dessa metáfora para poder utilizá-la, ao menos, de duas formas. A primeira é tomá-la emprestada quase que num nível icônico e, por semelhança, e também por uma certa falta de criatividade, associar a idéia de estrutura com estrutura física: construção e prédio. Neste sentido, tudo o que fosse considerado material e patrimônio se enquadraria neste conjunto. Livros, vassouras, computadores, panelas, lousas e giz de cera se enquadrariam, todos, na estrutura “material”. Neste sentido, garantir verba para erigir estes castelos de cimento, areia e cal – mais areia do que os demais – sem dúvida é condição necessária para o exercício do magistério. No entanto, o magistério, como muitas vezes nos enganamos, não é só isso – e abrimos aí a brecha para a segunda maneira de utilizar a metáfora da construção – que exploraremos mais a seguir. Ler mais »

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