Arquivo da categoria 'Políticas Educacionais'

Cultura afro-brasileira e educação musical na Escola

Por Flávio Tonnetti

 

Tanto a África quanto a Música vão à escola por força da lei. No Brasil, duas leis diferentes, aprovadas no final da primeira década deste século XXI, condicionam a inserção de determinados conteúdos culturais nos currículos escolares – que estiveram apartados da educação brasileira durante décadas. Uma das leis tenta recuperar a presença da música nas escolas; a outra prevê incorporar ao currículo conteúdos das culturas africanas, entendidas como constituintes de nossa própria história como matriz cultural – numa diversidade de culturas que perpassa nossa linguagem e nossos corpos.
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Educação Musical e tecnologias de Educação a Distância

por Flávio  Tonnetti

 

.Buscando atender uma demanda social, o governo brasileiro promulgou uma lei tornando obrigatório o ensino de música na Educação Básica. A lei 11.769 institui, assim, o reconhecimento da música como conteúdo e prática cultural a ser preservada, mantida e ensinada para as novas gerações. Imediatamente criou-se uma nova demanda por educadores musicais, repetindo na música algo parecido ao que ocorreu em relação ao ensino de sociologia e filosofia, disciplinas que voltaram ao ensino médio também em virtude de uma lei no mesmo ano de 2008.

Para suprir esta demanda por educadores musicais, algumas universidades públicas e privadas passaram a complementar seus bacharelados com habilitações para o ensino e o fortalecimento, ou mesmo a implementação, de licenciaturas em música. Paralelamente a este fortalecimento de cursos presenciais já existentes, houve a adoção da modalidade de ensino à distância para formação de docentes de música – como é o caso da graduação em Educação Musical oferecida na modalidade de Educação a Distância pela UFSCar. Somadas estas ações, tudo nos leva a crer que num futuro próximo, graças à ampliação do número de licenciados em música, possa haver o oferecimento efetivo de música na Educação Básica e a garantia plena da realização da lei. Ler mais »

Assistência estudantil e apoio ao conhecimento

Por Flávio Tonnetti

 

Avança-se no campo da assistência estudantil toda vez que consideramos também a educação a partir das necessidades do aluno. Avançamos quando consideramos o suporte ao aluno como um mecanismo necessário para o seu acesso ao ensino e também para sua permanência – tanto no ensino superior, quanto nos níveis de educação mais básicos e elementares.

É por isso que a oferta de merenda escolar, em creches e escolas, não pode ser vista como assistencialismo estatal, ou esmola para os pobres, mas como estratégia de manutenção do aluno dentro deste ambiente escolar: é preciso que coma para que aprenda.

A oferta de merenda visa, portanto, a realização de um objetivo pedagógico: aprender e permanecer na escola. Uma instituição que tem por determinação ensinar e formar seres humanos deve lançar mão de todos os recursos possíveis para atingir este fim. Se sua missão é o ensino, deverá então garantir, de todas as maneiras possíveis, as condições para que o aprendizado aconteça. Ler mais »

Gripe Suína e atraso no retorno às aulas

Por Flávio Tonnetti

Um novo tipo de gripe ocupou o foco principal dos noticiários no segundo semestre deste ano de dois mil e nove. A divulgação de que se tratava de um novo tipo mortal de gripe alarmou a população. Essa preocupação fez com que muita gente “precavida” buscasse modos paliativos de se proteger da gripe – o que aqueceu alguns mercados específicos de produtos hospitalares e farmacêuticos, já que máscaras cirúrgicas e gel bactericida foram vendidos como maneira de evitar o contágio. A gripe, que é um vírus, continuará assolando a espécie humana, e se transformando, não obstante essas medidas inócuas, até que uma vacina eficiente possa ser encontrada. Solução eficaz, mas ainda distante. Ler mais »

Estamos em greve

Por Flávio Tonnetti

Milhares de professores na Praça da República “A greve continua, Serra a culpa é sua”. Ao som destas palavras de ordem, cantadas como um bordão, milhares de professores e profissionais da educação ocuparam toda a extensão da Avenida Paulista e marcharam em direção à Praça da República, onde fica sediada a Secretaria Estadual de Educação. A marcha, que parou o trânsito da cidade, teve por objetivo pressionar o governo para que medidas incoerentes, em relação à Educação Paulista, fossem revistas.

Os professores, em greve deste a última semana, querem a revogação de decretos sancionados pelo governador. Os decretos impedem ao professor a possibilidade de pedir transferência para escolas mais próximas à sua residência e limitam a apresentação de atestados médicos para justificar faltas, contrariando assim o direito ao tratamento médico, assegurado a todo trabalhador. Ler mais »

O baixo salário do professorado paulista: quando o barato sai caro.

Por Flávio Tonnetti

Não é de hoje que o Estado paulista reconhece a falta de profissionais competentes na rede pública de ensino. Sabemos que o baixo salário ofertado para os cargos de professor acaba por afastar os bons profissionais do exercício público. Os bons, que não largam a profissão – pois muitos largam – são aproveitados pelas escolas privadas que, apesar de serem acusadas de limitar a atuação do professor e pasteurizar o ensino, ainda, ao menos, pagam melhor. Ler mais »

Jornal do Aluno nas comunidades do Orkut

Por Flávio Tonnetti

O governo estadual de São Paulo elaborou um material para resolver a defasagem dos estudantes da rede pública de ensino. O material, que contemplava todas as matérias, nos moldes de uma apostila, recebeu o nome de Jornal do Aluno – já que sua forma simulava a de um jornal.

Durante todo o período em que foi utilizado – o primeiro semestre de 2008 – o jornal foi alvo de comentários e críticas em inúmeras comunidades do Orkut – o site de relacionamentos mais popular entre os brasileiros.

Muitas das comunidades que foram criadas tinham nomes curiosos que demonstravam muito bem a opinião dos estudantes em relação ao material ao qual tiveram que se submeter. Nomes como “Eu odeio o jornal do aluno”, “Vou queimar o jornal do aluno” e “Jornal do aluno O Caralho” encabeçam a lista das comunidades – demonstrando, para utilizar um eufemismo, o “desapreço” dos estudantes pelo tão alardeado Jornal. Ler mais »

Apeoesp: um sindicato não representativo

Por Flávio Tonnetti

Por conta dos malefícios que a categoria profissional dos docentes da rede pública de São Paulo está sofrendo, achei que havia chegado a hora de tomar parte nos movimentos sindicalistas. Foi motivado por isto que compareci a uma reunião promovida no sindicato para discutir a situação do ensino de filosofia, sociologia e psicologia dentro da estrutura atual da escola pública paulista.

Embora em melhor situação que os professores de sociologia e psicologia – que perderam suas aulas, já não tendo mais postos de trabalho no estado de São Paulo dentro da rede pública – os filósofos também vêm acompanhando a diminuição de seus postos de trabalho pela diminuição de aulas. Ler mais »

Da universidade privada para a escola pública

Por Flávio Tonnetti

É patente o fato de que nossa sociedade carece de professores, mas não de licenciados. A abundância de profissionais legalmente aptos ao exercício docente é facilmente verificada pela quantidade de cursos voltados à licenciatura nas universidades privadas, que lançam, todos os anos, milhares de pessoas ao mercado educacional.

Para quem deseja adquirir uma habilitação profissional em educação, tanto os grandes conglomerados de ensino, com siglas bem conhecidas de todos nós, quanto as faculdades de fundo de quintal, oferecem cursos bem atraentes. É muito comum, e conveniente, que sejam cursos rápidos – em apenas três anos é possível graduar-se e licenciar-se em Letras, História ou Pedagogia. Ler mais »

Educação Paulista: sem equipe nas escolas.

Por Flávio Tonnetti

Muito em breve acabará o primeiro bimestre letivo e as escolas públicas de São Paulo continuam sem coordenadores pedagógicos. Também sentem falta de auxiliares de serviços gerais e de pessoal para o trabalho de escritório.

Uma das “promessas” da Secretária Estadual de Educação era justamente contratar os coordenadores até dezembro do ano passado, caso em que a ausência destes profissionais não causaria transtornos ao cotidiano escolar. Estas contratações foram anunciadas junto com as “metas” do governo – metas que já iniciam demonstrando um fracasso ou, no mínimo, defasagem; se quisermos ser generosos para com os gestores tucanos da educação paulista. Ler mais »

Entre a denúncia e o lirismo:
imagens de cidadania em textos de alunos da rede pública

Por Flávio Tonnetti

Na instituição para a qual trabalho, uma das diretorias de ensino do Estado de São Paulo, foi lançado um concurso para os alunos da rede pública cujo tema era “a cidade que nós queremos”. O concurso, que tinha por inspiração modelos bem conhecidos, foi chamado de Jovem Parlamento e tinha como tônica captar dos jovens o imaginário que eles têm da cidade onde vivem bem como as sugestões que poderiam dar para sua melhoria. Tudo de acordo. Tudo perfeito.Boatos informaram que o concurso estaria sendo financiado por um político da região, derrotado nas últimas eleições, e candidato certo para as próximas. Isto, em princípio, não desabona o concurso, que dará como prêmio aos melhores trabalhos um microssistem, um aparelho de DVD e um computador – ao melhor desenho do ciclo I, melhor texto do ciclo II e melhor texto do ensino médio, respectivamente. O patrocínio do político diz respeito justamente aos prêmios. Para as horas de trabalho dos professores e coordenadores pedagógicos e o custo com transporte dos que foram convocados para a divulgação do concurso, nisto arcou o Estado. E tudo vai indo bem. Ler mais »

ONGs educacionais: o privado na brecha do público

Por Fabrício Barros

A parca qualidade dos recursos humanos resulta da necessidade da massificação do ensino fundamental e médio no Brasil, a partir da Constituição de 1988, a qual garantiu o acesso universal à educação. Seu cunho é ‘democratista’, visto que impõe ao Estado o ônus de solucionar num espaço de tempo exíguo um grande déficit educacional, causando um desequilíbrio estrutural, uma vez que a massificação foi – e ainda o é – promovida mesmo diante da carência de pessoal adequado. Seu resultado mais objetivo é a má formação dos educandos e, não raro, educadores tão mal formados que acabam por agravar o quadro vigente.

Com o objetivo de atingir metas grandiosas de diminuição do analfabetismo, mecanismos bizarros como a ‘progressão continuada’ foram criados. Suas conseqüências aí estão: um incrível contingente de pessoas que formalmente têm o diploma do ensino médio ou fundamental, mas que são, inequivocamente, analfabetos funcionais; a má qualidade dos novos profissionais que se formaram na esteira desse processo, que tende a sedimentar a má qualidade da educação pública. Não é preciso ir a muitas escolas para se notar a obtusidade e a falta de domínio sobre o conteúdo de muitos professores. Ler mais »

Educação:
quando dinheiro não é problema, nem solução.

Por Flávio Tonnetti

Para qualquer coisa que se queira construir, a estrutura, ensina a construção civil, é condição sine qua non para garantir a boa execução e finalização da obra.No âmbito educacional, podemos nos apropriar dessa metáfora para poder utilizá-la, ao menos, de duas formas. A primeira é tomá-la emprestada quase que num nível icônico e, por semelhança, e também por uma certa falta de criatividade, associar a idéia de estrutura com estrutura física: construção e prédio. Neste sentido, tudo o que fosse considerado material e patrimônio se enquadraria neste conjunto. Livros, vassouras, computadores, panelas, lousas e giz de cera se enquadrariam, todos, na estrutura “material”. Neste sentido, garantir verba para erigir estes castelos de cimento, areia e cal – mais areia do que os demais – sem dúvida é condição necessária para o exercício do magistério. No entanto, o magistério, como muitas vezes nos enganamos, não é só isso – e abrimos aí a brecha para a segunda maneira de utilizar a metáfora da construção – que exploraremos mais a seguir. Ler mais »