Arquivo da categoria 'Televisão'

Metalinguagem: por que a Rede Globo é culturalmente tão poderosa.

Por Flávio Tonnetti

A Globo é, e parece sempre ter sido, a mais poderosa rede de televisão brasileira. A força da Globo não vem apenas de seu capital financeiro, mas de seu capital cultural. Conseguiu ao longo dos anos reunir um corpo de técnicos, escritores, apresentadores e atores de grande destaque – no caso dos atores, quando o virtuosismo não fala mais alto, é certo que a Globo consegue capitanear os mais belos.

Pelas competências que reúne, entre outras coisas, a Globo domina o mercado publicitário televisivo. É a mídia com maior alcance, e por isto mesmo a mais cara. A fonte de renda alimenta o talento e o talento alimenta a fonte de renda. É um círculo virtuoso, portanto. Este talento, é preciso que se diga, é um talento comercial. A Globo, embora seja uma empresa de entretenimento, não se presta a fazer objetos de “alta-cultura”. No entanto, faz muito bem aquilo a que se propõe: seduzir e dominar as mentes dos milhões de brasileiros que a assistem todos os dias.

Esta vocação de mercado que a Globo tem não a impediu, entretanto, de gestar obras-primas. “O Auto da Compadecida“, série que logo foi compilada em filme – e mesmo assim atraiu uma multidão aos cinemas brasileiros – nasceu na Globo. “Hoje é dia de Maria” também. Programas humorísticos ácidos como “TV Pirata” ou “Casseta e Planeta” – este último apenas nos anos iniciais – são outros achados – além do imortal Chico Anísio, claro. Atores como Lima Duarte e Tony Ramos pertencem ainda hoje a esta casa. Ler mais »

Fundão MTV, a escola escancarada

Por Flávio Tonnetti

Para Flávia Santos

Diferentemente do global “Soletrando” ou do tradicional “Passa ou Repassa” do SBT, que insistem em querem saber qual é o aluno mais inteligente, o programa Fundão MTV, comandado pelo apresentador João Gordo, toca uma questão menos direta: quer apenas descobrir quem é o menos burro. Estamos na busca dos sobreviventes, portanto.

Com o programa queremos saber qual foi o aluno que, apesar de todos os reveses da educação brasileira, principalmente os da educação pública, foi capaz de sair ileso e de passar impune. Por isto mesmo é que, dentro do contexto educacional brasileiro, o Fundão MTV é, dentre todos os programas do gênero, o menos hipócrita.

Nada de crianças bonitinhas. Nada de crianças comportadinhas. Nada de índices escolares dos “mais esforçados”. Embora haja equipes competindo tal qual o clássico “Passa ou Repassa”, o Fundão MTV segue a linha dos programas freaks comandados por João Gordo. Seus participantes muitas vezes se destacam já pelo visual exótico. São rapazes góticos, meninas super pintadas, manos do rap e roqueiros com camisetas em evidência. Estão lá os que se destacam na multidão. Os que têm alguma personalidade. Ler mais »

Um Capeta em Forma de Guri:
uma paródia bizarra dos alunos-problema

Por Flávio Tonnetti

Não há como definir algumas das “obras de arte” que a televisão nos oferece. O adjetivo mais adequado para algumas delas talvez seja o adjetivo “bizarro”.

O achado mais recente foi a paródia de um filme, estranhíssimo, feita pelo grupo Hermes e Renato: “Um capeta em forma de guri“. Trata-se de um tipo de paródia que altera os diálogos originais do filme, que ficou popular na internet graças a uma dupla de rapazes que gravou suas vozes por cima de um episódio da antiga série de tevê Batman e Robin – aquela em que apareciam as onomatopéias de briga em balões de texto: “Pá!”, “Pum!”, “Tcham!”. Ler mais »

Usando Malhação para aprender redação

Por Flávio Tonnetti

Muitas vezes professores relutam em trabalhar com conteúdos fornecidos pela mídia televisiva. São poucos os que aproveitam oportunidades de utilizar um Big Brother ou um programa de auditório para fazer uma reflexão. Quando ela ocorre, limita-se, no mais das vezes, ao noticiário.Nova protagonista de Malhação: aluna pobre chora ao ser acusada de roubo numa trama que anuncia conflito de classes

Uma boa oportunidade se apresenta agora com o início de uma nova temporada da novela vespertina Malhação. Explico. A novela, que muito se esforça para ser uma espécie de “bom moço” da televisão brasileira, frequentemente lança em seus capítulos questões éticas das mais diversas, numa tentativa de ensinar “bons valores aos jovens”. Mas neste ponto ela, infelizmente, fracassa, sendo um interlocutor muito fraco pra qualquer um que queira discutir conduta, direitos humanos, ou políticas sociais e ambientais dentro de uma cadeira de sociologia ou filosofia. Para estes fins, muito mais interessantes do que a “novelinha” são as “novelonas” – principalmente quando nas mãos de um Manoel Carlos ou de uma Glória Perez. Ler mais »