Comunidades Quilombolas e Exploração Cultural

Por Flávio Tonnetti e Edgard de Freitas Cardoso

Uma vez por ano acontece no Rio de Janeiro, no Quilombo São José, região de Valença, uma festa em homenagem aos Pretos-Velhos – como são conhecidos os ancestrais jongueiros. Por conta deste evento, vão para São José, e lá se apresentam, grupos de cultura popular de diversas partes do Brasil. O Quilombo, a despeito de seus anos de existência, somente há pouco recebeu energia elétrica, avanço que pode ser atribuído à presença de certas empresas que se interessaram em patrocinar a festa.

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O conhecimento como commodity

Por Flávio Tonnetti

Peter Drucker, um dos gurus da administração, muito conhecido por suas palestras corporativas de gestão, escreveu, assim como muitos outros “gurus”, sobre a “nova” sociedade do conhecimento. Em sua versão de mundo, presente em publicações como Administrando em tempos de grande mudança, o conhecimento é a grande commodity nessa nova ordem mundial. Pode, portanto, gerar riquezas e contribuir para o desenvolvimento de um país; pode alavancar mercados para corporações e empresas. Por ter um papel central, como produtora de conhecimento, a escola deveria, nesta concepção, ser o centro da sociedade.

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O baixo salário do professorado paulista: quando o barato sai caro.

Por Flávio Tonnetti

Não é de hoje que o Estado paulista reconhece a falta de profissionais competentes na rede pública de ensino. Sabemos que o baixo salário ofertado para os cargos de professor acaba por afastar os bons profissionais do exercício público. Os bons, que não largam a profissão – pois muitos largam – são aproveitados pelas escolas privadas que, apesar de serem acusadas de limitar a atuação do professor e pasteurizar o ensino, ainda, ao menos, pagam melhor.

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Jornal do Aluno nas comunidades do Orkut

Por Flávio Tonnetti

O governo estadual de São Paulo elaborou um material para resolver a defasagem dos estudantes da rede pública de ensino. O material, que contemplava todas as matérias, nos moldes de uma apostila, recebeu o nome de Jornal do Aluno – já que sua forma simulava a de um jornal.

Durante todo o período em que foi utilizado – o primeiro semestre de 2008 – o jornal foi alvo de comentários e críticas em inúmeras comunidades do Orkut – o site de relacionamentos mais popular entre os brasileiros.

Muitas das comunidades que foram criadas tinham nomes curiosos que demonstravam muito bem a opinião dos estudantes em relação ao material ao qual tiveram que se submeter. Nomes como “Eu odeio o jornal do aluno”, “Vou queimar o jornal do aluno” e “Jornal do aluno O Caralho” encabeçam a lista das comunidades – demonstrando, para utilizar um eufemismo, o “desapreço” dos estudantes pelo tão alardeado Jornal.

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Avanços ou retrocessos no Ensino de Filosofia em São Paulo

Por Flávio Tonnetti

Convencidos de que a educação paulista está entre as piores do Brasil – apesar de São Paulo ter, por conta da arrecadação de impostos, a maior verba, dentre os estados da federação, destinada ao ensino público – o governo José Serra decidiu tomar providências.

Uma delas, que afeta diretamente a função do professor e que interfere na condução dos estudos dos alunos, foi a elaboração de um material de recuperação em formato de jornal, no qual todas as matérias estão contempladas. Apesar de ser destinado à recuperação, muitos dos conteúdos são visto pelos alunos como “novidades” – o que serviria ou para apontar a defasagem no ensino dos alunos ou a inadequação do material – ou ambas.

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CRUEL: Cia. de Dança Deborah Colker

CRUEL – um espetáculo da Cia. de Dança Deborah Colker

(ensaio crítico em dois atos)

Por Flávio Tonnetti

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Apeoesp: um sindicato não representativo

Por Flávio Tonnetti

Por conta dos malefícios que a categoria profissional dos docentes da rede pública de São Paulo está sofrendo, achei que havia chegado a hora de tomar parte nos movimentos sindicalistas. Foi motivado por isto que compareci a uma reunião promovida no sindicato para discutir a situação do ensino de filosofia, sociologia e psicologia dentro da estrutura atual da escola pública paulista.

Embora em melhor situação que os professores de sociologia e psicologia – que perderam suas aulas, já não tendo mais postos de trabalho no estado de São Paulo dentro da rede pública – os filósofos também vêm acompanhando a diminuição de seus postos de trabalho pela diminuição de aulas.

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Da universidade privada para a escola pública

Por Flávio Tonnetti

É patente o fato de que nossa sociedade carece de professores, mas não de licenciados. A abundância de profissionais legalmente aptos ao exercício docente é facilmente verificada pela quantidade de cursos voltados à licenciatura nas universidades privadas, que lançam, todos os anos, milhares de pessoas ao mercado educacional.

Para quem deseja adquirir uma habilitação profissional em educação, tanto os grandes conglomerados de ensino, com siglas bem conhecidas de todos nós, quanto as faculdades de fundo de quintal, oferecem cursos bem atraentes. É muito comum, e conveniente, que sejam cursos rápidos – em apenas três anos é possível graduar-se e licenciar-se em Letras, História ou Pedagogia.

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Educação Paulista: sem equipe nas escolas.

Por Flávio Tonnetti

Muito em breve acabará o primeiro bimestre letivo e as escolas públicas de São Paulo continuam sem coordenadores pedagógicos. Também sentem falta de auxiliares de serviços gerais e de pessoal para o trabalho de escritório.

Uma das “promessas” da Secretária Estadual de Educação era justamente contratar os coordenadores até dezembro do ano passado, caso em que a ausência destes profissionais não causaria transtornos ao cotidiano escolar. Estas contratações foram anunciadas junto com as “metas” do governo – metas que já iniciam demonstrando um fracasso ou, no mínimo, defasagem; se quisermos ser generosos para com os gestores tucanos da educação paulista.

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João Victor: o jovem herói da educação brasileira

Por Arthur Meucci e Flávio Tonnetti

O conceito de “juventude” é uma construção social, que tanto distingue um indivíduo como o limita em sua trajetória de vida. Uma pessoa com trinta anos, para determinados mercados, e em determinados ramos de atuação profissional, pode ser considerada velha demais para iniciar uma carreira, no entanto, em contrapartida, pode ser “jovem demais” para ocupar o cargo de presidente de uma empresa. Embora o fator “idade” seja um fator objetivo – uma medição de tempo, biologicamente verificável – os conceitos de juventude e velhice, que orbitam em torno dela, não obedecem a parâmetros bem estabelecidos. O que significa dizer que uma pessoa de 16 anos é adulta para votar e muito jovem para dirigir?

O conceito de juventude pode, portanto, ser utilizado tanto como mecanismo de legitimação como de deslegitimação – categoria imposta por agentes dominantes em determinado campo social. Embora possa ser utilizada como sinônimo de inovação, vigor ou beleza, a palavra jovem carrega consigo, na maioria das vezes, a carga simbólica de inexperiência, imaturidade, irresponsabilidade ou inaptidão. Notamos o emprego pejorativo do termo quando “velhos experientes”, defendendo seu campo social, desejam excluir ou limitar a participação de indivíduos que propõem mudanças nas estruturas sociais e de poder.

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Falseando informações na educação pública:
bibliotecas e salas de informática

Por Flávio Tonnetti 

A maioria das escolas com as quais tive contato sempre declararam ter bibliotecas e sala de informática. É uma resposta automática. Os gestores das instituições escolares consideram, obviamente, estes itens importantes – e sabem que para serem considerados bons gestores estes itens devem ser declarados.

Mas o que acontece é que aquilo que se chama de “biblioteca” ou de “sala de informática”, muitas vezes, não passa de um engodo. Às vezes, as escolas de fato têm livros, às vezes, têm também computadores. São materiais enviados pelos governos estaduais e federais às escolas. Eles constam das listas governamentais de remessa e estão previstos em muitos orçamentos.

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Desorganização dos dirigentes de ensino

Por Flávio Tonnetti

Na Educação Pública, o início do ano é o período de atribuição de aulas e contratação de profissionais.

Houve, no início desta temporada letiva, a inscrição de um concurso destinada aos cargos de serviço geral e organização escolar. A inscrição, feita pela internet, precisou, sem motivo claro, ser confirmada nas diretorias de ensino da região pretendida pelo candidato. Imagine a situação: milhares de pessoas inscritas no concurso se dirigindo a uma instituição para confirmar uma inscrição que já havia sido feita. O resultado, previsível, foi o caos. Sobretudo, porque essas instituições não estão capacitadas para receber esse volume de gente. E não estão capacitadas, porque não tem pessoal competente para organizar a logística.

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Cultura da Mentira

Por Flávio Tonnetti

Um incêndio que ocorreu no fim de 2007, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, mostrou bem como está arraigada em nós, brasileiros, uma cultura coorporativa da mentira. A mentira flagrante ocorreu durante uma entrevista dada por um oficial do alto escalão do Corpo de Bombeiros a um repórter de uma grande rede de televisão.

O incêndio obrigou vários setores do prédio a desocuparem o hospital, que é enorme, às pressas. Na ocasião, um dos últimos andares foi muito afetado pela fumaça causando desespero e pânico em muitos dos funcionários e pacientes.

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Um Capeta em Forma de Guri:
uma paródia bizarra dos alunos-problema

Por Flávio Tonnetti

Não há como definir algumas das “obras de arte” que a televisão nos oferece. O adjetivo mais adequado para algumas delas talvez seja o adjetivo “bizarro”.

O achado mais recente foi a paródia de um filme, estranhíssimo, feita pelo grupo Hermes e Renato: “Um capeta em forma de guri“. Trata-se de um tipo de paródia que altera os diálogos originais do filme, que ficou popular na internet graças a uma dupla de rapazes que gravou suas vozes por cima de um episódio da antiga série de tevê Batman e Robin – aquela em que apareciam as onomatopéias de briga em balões de texto: “Pá!”, “Pum!”, “Tcham!”.

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Financiamento público do desenvolvimento e da pesquisa

Por Flávio Tonnetti

Embora exista um discurso reinante sobre a valorização da pesquisa e do conhecimento, temos dificuldades enormes de observar isto na prática em nosso país. Pesquisa e Desenvolvimento são tópicos mencionados, sobretudo, no âmbito empresarial, mas mesmo aí são poucas as empresas que conseguem levar essa implementação adiante. No Desafio SEBRAE, por exemplo, um jogo, no qual os jovens de universidades brasileiras têm que administrar uma empresa num mercado competitivo, o item P&D é um dos pontos decisivos para a vitória – e que significa sobreviver no mercado e não falir a empresa.

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